Com pitadas africanas

Hoje deu-me para ouvir e sentir música de qualidade. Há dias falava com uma mulher bonita sobre algumas árias de ópera, parei a meio, aquele perfume caro e as roupas de marca eram apenas isso, nem só um bago de cultura geral a segurar aquele corpo lindo, trabalhado, e o rosto cuidado para atrair, claro que me decepcionei, tem de haver um esqueleto de inteligência e veias de conhecimento para alguém ser interessante. Éramos um pequeno grupo, calei-me, continuou a frivolidade e desapareci em mim. Hoje comecei pelo fado, a poesia sempre bem arranjada, ainda que vadia, agora estou de queen, com o africano mais famoso de todos, Freddie Mercury, e sinto a forma como aquele que daria num bom cantor de ópera ajudou a revolucionar a música rock para sempre (alguém se lembra dele com Montserrat Caballé?). uma plástica inimitável, eterna. e vejo Mercury a cantar under Pressure ao lado de david Bowie, outro monstro, marido da modelo somali iman (a sua parte africana), estão lá muito acima, muito longe do que muita estrela faz, a muitos mundos do que fazem cá as nossas tentativas de músicos, na escrita, nos arranjos, na criatividade. os queen nasceram com gente bem formada, cursos superiores nas área das ciências exactas, com muita matemática pelo meio, gente que teve educação musical. Sim, roqueiros, mas cultos, cabelo no ar, calças jeans e camisa solta, t-shirt e sapatos de ténis, milhões de vezes mais esqueleto de inteligência e milhões de vezes mais conhecimento que a boutique ambulante que estava na nossa mesa. desculpem, é já a sexta vez que toca “Th ere Must Be More To life Th an Th is”, Freddie Mercury e Michael Jackson.

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