Academia de Judo Jacinto Tchipa ‘pede socorro’

Fundada a 27 de Agosto de 2018, no município de Viana, em Luanda, a academia perspectiva o futuro do judo, com preocupação do presente. O mentor do projecto, Simão ‘Zorro’, disse que a academia sobrevive graças ao seu esforço

Durante duas horas, a equipa de reportagem deste jornal percorreu os meandros da Academia de Judo Jacinto Tchipa, no bairro que dá nome à academia, no município satélite de Viana, em Luanda.

A empreitada permitiu constatar ‘in-loco e in-situ, como 40 jovens com idades compreendidas entre sete e 25 anos aprendem o ABC de uma modalidade de combate que já trouxe várias medalhas ao país. A escolinha fundada a 27 de Agosto de 2018, sobrevive graças ao esforço do mestre, Simão ‘Zorro’, 3º Dan (faixa preta).

O mentor do projecto conseguiu um espaço cedido por um familiar, que não sabe quando é que o proprietário poderá precisar de volta. Quanto à academia, ou seja, o recinto improvisado é vedado com chapas de zinco e com o piso (tatame) de palha de madeira é desta maneira que Simão ‘Zorro’ forma meninos que sonham ser campeões.

Com os “olhos” também virados para a vertente social, o também antigo atleta do 1º de Agosto revelou que criou o projecto para transmitir a disciplina do judo aos mais novos e tirar da delinquência os jovens do bairro Jacinto Tchipa.

Simão Zorro mostrou-se preocupado com o índice elevado de assaltos e de alcoolismo por parte da juventude do seu bairro. Por este facto, o homem que está no judo há mais de 30 anos e criador de várias academias ou escolas de judo no Rangel, achou melhor abrir a academia para combater os males supracitados.

Apesar de ser reconhecida pela Associação Provincial de Judo (APJ) de Luanda, o mestre disse que a escola ainda não participa no provincial, porque está sozinho a criar algumas condições.

Dificuldades

Pese o entusiasmo que acompanha os futuros campeões da Academia de Judo Jacinto Tchipa, Dinis Lopes, de 22 anos, atleta que sonha disputar uma prova provincial, quiçá, nacional, com lágrimas no canto do olho não conseguiu esconder os problemas comque se debate diariamente. “Falta-nos um bom tatame, um melhor recinto para as sessões de treinos.

Enfim!”, apontou Dinis Lopes. Apela aos amigos do bairro a fazerem inscrição na academia de modo a deixarem os maus caminhos. “Aliás, na nossa academia não se paga nada, mas aprendemos algo que poderá ser útil para muito sde nós que estamos aqui”, reconheceu.

Simão ‘Zorro’ disse que está difícil porque há jovens que querem praticar a modalidade, mas a verdade é que o material para este desporto de combate é escasso e sem dinheiro fica ainda mais complicado. Mas enquanto haver vida, o mestre Simão ‘Zorro’ acredita em dias melhores.

Para isso, vai continuar a transmitir o seu conhecimento aos mais novos. Erivaldo Gayeta, de 15 anos, sonha ser um grande atleta de judo como Faia, actualmente lutadora de Artes Marciais Mista (MMA).

Para concretizar esta pretensão, o adolescente trabalha arduamente para ser uma referência nacional. “No princípio os meus pais tinham algum receio, agora conto com o apoio deles. Está a ser fantástico”, contou o jovem. Partilha da mesma opinião.

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