Presença do Presidente da República “renova” esperança da população afectada pela seca no Cunene

O Presidente da República, João Lourenço, percorreu, na manhã de Sábado (4) mais de 100 quilómetros de carro até ao município de Ombadja para constatar in loco o problema da seca que afecta 175 mil famílias no Cunene.

A primeira paragem do Chefe de Estado, que se fazia acompanhar pela Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, foi na localidade de Ombala Yo Mungo” aonde procedeu formalmente à entrega de alimentos e camiões com cisterna de água para acudir a população afectada.

Formalmente, porque, segundo a administradora municipal de Ombadja, os meios de transporte e os bens já chegaram à província há uma semana. “Tão logo os camiões chegaram carregados de água, fizemos a distribuição”, garantiu Albertina José.

Explicou ter sucedido o mesmo com os alimentos, nomeadamente o feno para o gado e cereais e sal para as pessoas.

De acordo com a gestora pública, o Governo disponibilizou também verbas para a aquisição de meios como tanques reservatórios de água e tractores. Ao todo, segundo o ministro da Agricultura e da Floresta, Marcos Nhunga, foram entregues 51 mil toneladas de feno, 30 toneladas de sal comum, 20 toneladas de sais minerais, milho, entre outros produtos.

No local, o Chefe de Estado recebeu explicações do representante da comissão encarregue de implementar os projectos para a mitigação do efeito da seca. Hermenegildo dos Santos falou, por exemplo, da implementação de mangas de vacinação em todas as comunas da província.

O Presidente não se limitou a ouvir, também questionou, num ambiente informal em que o ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, também interveio para prestar esclarecimentos. De seguida, o Presidente da República dirigiu-se a localidade de Oshiwanga.

Foram cerca de 30 quilómetros de estrada “picada” percorridos de carro para chegar até lá. No local, João Lourenço foi recebido por uma população que dizia sentir-se esquecida. “Quando ouvimos que o Presidente viria aqui, não acreditamos”, disse Laura Sebastião, de 30 anos.

A jovem, que é mãe de 4 filhos, disse ter noção de que a visita do Chefe de Estado não resolve os problemas que ela, a sua família e os habitantes do Cunene enfrentam, mas “devolve a esperança. Quer dizer que não fomos esquecidos”, afirmou.

A dada altura, o Presidente da República viu-se envolvido pela população, para a preocupação dos serviços de segurança. Cercado pelos populares, João Lourenço observou os furos com cerca de 17 metros de profundidade que são feitos rusticamente em busca de água, bem como ouviu explicações de como a água é acarretada.

Em entrevista a OPAÍS, o soba da região, Cristino Matias, explicou ser necessário um grupo de pessoas para retirar água dos furos, sendo que uma entra com um vasilhame e, com o auxílio de uma corda, os demais ficam fora para içar. De acordo com a referida autoridade tradicional, todos os dias morrem pelo menos 10 cabeças de gado.

O Presidente da República realizou na Sexta-feira (3) e no sábadon uma visita de trabalho com duração de dois dias ao Cunene. No primeiro dia de trabalhos, o Chefe de Estado recebeu em audiência o bispo de Ondjiva, Dom Pio Hupunhati e o Bispo da Igreja Evangélica Luterana de Angola, Tomás Ndawanapo.

Ainda na Sexta-feira o governador do Cunene fez a apresentação do relatório da situação da seca e fome na região. Virgílio Tyova afirmou, na ocasião, que até ao dia 30 de Abril cerca de um milhão e 100 mil cabeças de gado estavam afectadas pela seca na província do Cunene, sendo que até ao momento 26 mil morreram.

Os números apresentados indicam, também, haver 175 mil famílias afectadas pela seca, bem como o encerramento de 13 escolas pela mesma situação.

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