Gravidas do NGuengue clamam pelo regresso da parteira do posto local

Com apenas dois enfermeiros, o único posto de saúde, que, segundo as moradoras, tinha uma secção materno-infantil, viu a sua técnica especializada a ser transferida do bairro sem quaisquer alegações, o que deixou os moradores bastante preocupados

Algumas mulheres grávidas do bairro Ana- Nguengue, comuna de Calumbo, município de Viana, em Luanda, manifestaram a OPAÍS o seu descontentamento pelo facto de estarem obrigadas a percorrer mais de 15 quilómetros, a pé, para chegarem ao centro maternoinfantil da sede comunal, o local mais próximo onde têm de fazer as consultas pré-natais “Por causa disso, pedimos às autoridades da comuna ou do município que façam voltar a nossa parteira ou enviem outras, de modo a evitarmos caminhadas longas e de gastos avultados”, disseram as senhoras.

Se não quiserem fazer longas caminhadas, as mulheres têm de dar a volta pelo Bita Tanque, Sapu e Kilamba, no município de Belas, para tomarem o táxi na chamada «auto- estrada, rumo ao Zango III ou IV, onde tomam outro táxi até ao Calumbo, submetendo-se, entretanto, a gastar cerca de mil Kwanzas, para ir e voltar, segundo as mesmas.

Quando foi inaugurado o posto médico construído nessa comunidade, à margem do rio Lwei (afluente do Kwanza), foi contemplada uma secção para atender as mulheres grávidas, tendo sido enquadrada, na altura, uma parteira, para os fins invocados. “Houve muitos partos realizados mesmo aqui no Nguengue e a parteira estava a nos cuidar bem, porque, além das consultas prénatais, ela conversava com as famílias e nos instruía sobre o plano familiar, mesmo se fosse necessário ir à casa das pacientes”, recordaram as interlocutoras deste jornal, que disseram não entender como é que, a dado momento, a enfermeira foi transferida daí para outro sítio.

Depois da sua saída, segundo contaram, os dois enfermeiros ainda se esforçavam a atender as mulheres concebidas, mas se tratava apenas de consultas e tratamentos para evitar que as mulheres e as crianças contraíssem paludismo ou outra doença.

As doações de mosquiteiro e de lixívia para o tratamento da água aí consumida (maioritariamente imprópria), além de algumas campanhas de vacinação chegadas Nguengue pela mão da então parteira foram recordadas pelas entrevistadas, que revelaram o facto de estarem há um bom tempo sem as referidas benesses.

Secção em risco de perda de materiais

A busca de esclarecimento dos funcionários do posto médico nã foi conseguida, porque, na ocasião da reportagem, os mesmos já não se faziam presentes no local de trabalho. Abordando sobre o assunto, o soba da comunidade do Nguengue, José Anselmo, reconheceu que a secção da maternidade já não atendia mais consultas e partos, porque quase todo o material de lá estava a desaparecer, desde que retiraram a única parteira que tinham.

O ancião que regista inoperância do sector em causa há mais de dois anos confirmou ter recebido a reclamação das senhoras e a intenção de se solicitar outra técnica, mas assegurou que, como soba, se limitou a passar esta mensagem aos administradores comunal e municipal.

“Quando a retiraram daqui, nem sequer nos deram qualquer satisfação, portanto não sabemos, até hoje, quais foram os motivos” desabafou o soba Anselmo. Informou, a seguir, que, até a altura desta reportagem, o Nguengue se debate com o outro problema referente ao posto médico, que conta apenas com dois enfermeiros.

“Eles até fazem rendas semanais. Por exemplo, se um vem na Terça-feira, faz aqui sete dias, até que o outro lhe renda para fazer o mesmo tempo de serviço”, declarou. Relativamente à medicação, referiu que o posto médico que existe há mais de cinco anos, normalmente, não tem disponibilidade de medicamentos, limitandose a orientar receitas, cujos fármacos têm de ser adquiridos por conta dos doentes e seus familiares. “Já não sabemos se o problema é nacional ou é só daqui do NGuengue, onde os remédios vêm, mas para se dar dois comprimidos ao paciente é com muita sorte”, desabafou o soba, tendo-se referido ao Quarten, Paracetamol e Vitaminas.

O soba revelou, finalmente, que, quando são pressionados por elementos que fazem parte da coordenação ou do sobado, como é o seu caso, os enfermeiros ainda são capazes de dar uma lâmina de comprimidos. O soba não se interessou em acusar os técnicos pela escassez de fármacos, mas ironizou dizendo que “se chega aí, o povo não vê”.

error: Content is protected !!