Salas anexas da escola Njinga Mbande entregues ao lixo e ao vandalismo

Com capacidade para albergar até 45 alunos cada, as salas anexas da escola Njinga Mbande, em Luanda, encontram-se com as paredes pinchadas, quadros danificados, cabos eléctricos arrancados, tectos degradados e carteiras danificadas

As salas anexas da Escola Njinga Mbande, em Luanda, encontramse em estado de abandono e vandalizadas. É um total de 5 salas de aulas que praticamente viraram depósitos de lixo e que têm servido, nos últimos tempos, de espaço para o consumo de drogas, prostituição e outras práticas adversas.

As janelas das referidas salas e portas foram arrancadas, o que forçou a direcçao da escola a colocar grades e posteriormente encerra-las com cadeados. Mas do lado de fora é visível o nível de vandalização de que foram alvo as referidas salas, cujas paredes se encontram pinchadas, quadros danificados, cabos eléctricos arrancados, tectos degradados e as poucas carteiras que sobraram, estão danificadas.

Já o espaço adjacente às referidas salas, que têm a capacidade para albergar até 45 alunos cada, está repleto de capim, fezes, lixos e tem exalado um cheiro nauseabundo.

Nas mesmas condições está o pátio que tem os acentos e as paredes sujos e pinchados. Todos os dias, o pátio é invadido por meninos de rua que aproveitam o espaço para o uso de drogas e resolução de desentendimentos entre si.

Também, na tentativa de fugir das aulas, muitos alunos do edifício central se refugiam no pátio e nas salas anexas, onde aproveitam a namorar e acabam partilhando o mesmo espaço e objectos com os meninos de rua.

Em conversa com o OPAÍS, estudantes disseram que esta convivência perigosa tem resultado, muitas vezes, em agressões físicas. Tal como explicaram, a disputa do espaço para práticas que ali não são chamadas, como o sexo e consumo de drogas, tem feito com que os alunos e os miúdos de rua entrem em desavenças.

“Muitos colegas fogem das aulas para virem cá namorar. E muitas vezes se cruzam com os miúdos de rua a drogarem-se e acaba em confusão. Os guardas sabem disso, mas não fazem nada”, frisou um aluno identificado por Mauro.

O estado de abandono em que se encontram as salas anexas, inauguradas em 2001, está a preocupar a comunidade estudantil do Njinga Mbande, que pede a sua reabertura de forma a evitar as constantes invasões e vandalismo.

“Se estivessem em funcionamento, talvez não poderíamos ter a constante presença de jovens que vêm aqui se drogar e namorar. Há muita gente que não consegue estudar, enquanto temos aqui cinco salas totalmente abandonadas. É de lamentar”, lastimou outra aluna.

Falta alunos para as salas

Contactada por este diário, a directora da escola Njinga Mbande, Mariana Bessa, recusou-se a falar em abandono e aponta a falta de alunos como estando na base do não funcionamento das salas anexas.

Segundo a responsável, a transferência de um grosso da população, do distrito urbano da Ingombota para o Zango, reduziu, em grande medida, a quantidade de alunos naquela escola, pelo que a direcção viu-se obrigada a encerrar aquelas unidades académicas.

De acordo com a responsável, devido à invasão constante de meninos de rua, a sua direccçao optou por colocar grades e cadeados nas portas para evitar mais vandalismo. Sobre as carteiras, estas encontram-se no edifício principal que tem 37 salas de aulas.

Actualmente, decorrem acções que vão culminar com a entrega das referidas salas à escola 22 de Novembro, por esta apresentar maior necessidade de espaços para aulas. “A escola 22 de Novembro é do II Ciclo e apresenta maior fluxo de alunos.

Então, este ano vamos ceder as salas para essa escola, a fim de colmatar a carência. Portanto, não se pode dizer que elas estão abandonadas. Apenas não estão em funcionamento”, atestou.

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