ADRA enaltece iniciativa do PR na busca de solução para a seca no centro-Sul

O director geral da AD RA, Belarmino Jelembi, disse ontem, em Luanda, que a visita do Presidente da República, João Lourenço, efectuada na passada semana às províncias do Namibe e Cunene, afectadas pela seca, começa a ganhar alguma importância política

Em declarações a OPAÍS sobre esta visita, o responsável disse que as autoridades, ao começarem a pronunciar-se sobre o assunto, é porque estão a reconhecer que o problema existe e se deve encontrar uma solução. Um aspecto importante que deve ser considerado, segundo Jelembi, é o facto de o Governo Central ter disponibilizado dinheiro para, numa primeira fase, mitigar o impacto da seca, e depois resolver definitivamente o assunto. O responsável reconhece não ser uma tarefa fácil, porque a seca decorre também das características climatéricas e de solo da região, mas, ainda assim, escolhe a mitigação, neste momento, como sendo a questão fundamental para acudir a situação que também já atingiu as províncias do Cuando Cubango, Benguela e Cuanza-Sul.

Geração de receitas internas

No entender de Belarmino Jelembi, além dos recursos alocados pelo Governo Central, com a realização de eleições autárquicas é importante gerar alguma autonomia dos próprios municípios, para dar resposta às prementes necessidades das populações. Acrescentou que as decisões sobre a alocação de recursos devem que envolver o próprio município e não serem tomadas fundamentalmente pelas estruturas centrais, realçando que a transferência de competências para os municípios tem que se concretizar.

Projectos da ADRA nos Gambos

Belarmino Jelembi disse que para minorar os efeitos da seca nos Gambos (Huíla), a ADRA construiu neste município um tanque a céu aberto (chimpaca melhorada) com capacidade de três mil litros, e um campo bercard (reservatório alimentado por águas colhidas dos alpendes) com capacidade de 450 mil litros de água, pela antena ADRA da Huíla. Este projecto contou com a cooperação activa das comunidades locais, da Administração Municipal, do Governo da província, e teve ainda o apoio de especialistas brasileiros e noruegueses, e tem beneficiado cerca de setenta famílias que vivem ao redor daquela infra-estrutura. Jelembi, pelo volume de trabalho que a região tem, defende a combinação de algumas soluções, tais como a questão da água, para atender a disponibilização do pasto e medidas de segurança alimentar para acudir as famílias em situações críticas. Para combater a fome, defende a introdução de culturais alimentares resistentes à seca, como o cultivo da batata-doce, a mandioca, e o aprimoramento de culturas locais.

Construção de barragens

Sobre a construção de barragens, o director geral da ADRA defende que devem de ser combinadas com outros mecanismos locais de retenção de água, sendo que alguns neste momento estão a ser feitos e outras já existentes, para que na procura da água não haja concentração do gado apenas numa única localidade. “Nós temos que entender que o pasto daquela região é extensivo, o gado desloca-se de uma zona para outra, a disponibilização da água e de alimentos deve levar em conta este aspecto”, concluiu.

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