Bispo de Benguela deplora quadro social da província

Dom António Jaka constata deficiências no saneamento básico, fornecimento de energia eléctrica e água e aponta que estes factores condicionam o “bem-estar” dos benguelenses

O bispo da diocese de Benguela, Dom António Jaka, deplora o quadro social da província e chama a atenção do Executivo local para a necessidade de se garantir o básico para a população. Em declarações à imprensa à margem da cerimónia de abertura da semana da “diocesaneidade”, no quadro do 49º aniversário da diocese de Benguela, o prelado católico afirmou que se constata grandes debilidades no saneamento básico, fornecimento de energia eléctrica, distribuição de água, de entre outras deficiências que apoquentam o cidadão e condicionam o seu bem-estar social.

“Há um conjunto de situações que os nossos concidadãos vivem aqui na província de Benguela que necessitam de uma atenção dos governantes”, adverte. Aos governantes, segundo o bispo, cabe garantir as condições básicas, exigindo, contudo, trabalho das autoridades para se resolver os problemas de uma província tida como estratégica. “A questão do saneamento deve envolver todos os cidadãos”, considera, esperançado de que as famílias venham a ter “as condições mínimas e dignas”.

Repatriamento de capital

Chamado a comentar o facto de nenhum angolano ter repatriado voluntariamente o seu capital subtraído ilicitamente, até agora, Dom António Jaka disse acreditar que àqueles que subtraírem dinheiro de forma ilícita lhes esteja a faltar “patriotismo”. Reforçou que qualquer filho da pátria preocupar-se-ia com o futuro do país, fazendo com que os recursos sirvam os cidadãos. “Investir em terra alheia e deixar os seus concidadãos na miséria é falta de patriotismo”, reiterou. As críticas do bispo de Benguela sobre o quadro social da província juntam-se, assim, às de vários cidadãos que consideram “degradante” o actual quadro social, numa altura em que a “cidade mãe de cidades” prepara a celebração dos seus 402 anos, a 17 de Maio.

“Desgovernação”

Alguns cidadãos disseram a OPAÍS que a cidade está neste momento “ingovernável”, pois é inconcebível que o governador provincial Rui Falcão olhe para o quadro e não tome as medidas de que se precisa para garantir melhores condições de vida a milhões de habitantes nesta região. “Benguela é a segunda província do país e não consigo acreditar como é que chegou a este ponto. Sinceramente, tenho saudades de Isaac dos Anjos, antigo governador de Benguela”, disse um militante do MPLA, que não se quis identificar, acusando Falcão de estar mais fora do que dentro da província.

“Essas ausências do governador só favorecem o actual vice-governador para a esfera Técnica e Infra-estruturas. Sempre que o governador sai, Leopoldo Muhongo assume a província”, diz. Avançou que na ausência do titular, o vice-governador está a fazer a imagem dele, recordando que Leopoldo Muhongo chegou a vice-administrador e, depois, a administrador de Benguela, devido à sua dedicação ao trabalho na ausência do seu superior hierárquico.

“Não me admira se ele vier a ser governador”, prognostica a nossa fonte, conhecedor dos meandros da política benguelense. Das várias vezes que foi abordado pela imprensa, o governador de Benguela, Rui Falcão, alegou falta de recursos financeiros para determinados projectos. Ante a posição do governador, a UNITA, na voz do seu secretário provincial, Alberto Ngalanelã, aconselha a ele ao seu elenco a apresentarem demissão. Ngalanelã diz que se um governante não tem dinheiro para executar projectos com impacto directo na vida dos cidadãos, o mais sensato seria demitir-se das suas funções, para não defraudar as expectativas dos cidadãos.