“Falta de combustíveis vai afectar a economia do país”, diz Silvestre Francisco

Benguela, Cabinda, Luanda, Lundas Nortes e Sul, são algumas regiões do país de onde chegam “gritos de socorro” por causa da falta de combustíveis nos postos de abastecimento pelos automobilistas e não só. Para o economista Silvestre Francisco, o problema terá impacto negativo na economia

POR: Miguel Kitari & Patrícia de Oliveira

O país voltou a registar falta de combustível desde o ultimo final de semana, com realce para a capital, Luanda, cujo impacto continua a ser sentido em diversos sectores de actividade. Segundo Silvestre Francisco, a falta de combustíveis vai impactar de forma negativa na vida das pessoas e das empresas. Refere igualmente que não há competitividade entre as empresas do sector petrolífero que tratam da distribuição de derivados de petróleo. “Os consumidores estão cada vez mais apertados. Deve haver uma alteração da actual situação no sector dos combustíveis. Nesta fase da nossa economia Angola não se revê na subvenção de combustíveis.

Tende a retirar essa subvenção e isso tem impacto no custo para os consumidores”, alertou, acrescentou que os cidadãos se aculturam-se que a subvenção é importante para as suas economias “Retiraram a subvenção do combustível numa fase em que às famílias já estão com rendimentos muito baixos por causa da inflação”, disse, ressalvando que o Estado acautelou a subvenção dos combustíveis para o sector produtivo. De qualquer modo, quando falta a indústria também recente. Francisco Silvestre afirma que o custo de vida tende a subir, os taxistas vão se sentir apertados, e muitos deixarão mesmo de funcionar. Serão afectadas as pequenas, médias e grandes empresas uma vez que muitas ainda são abastecidas de energia por via de fontes alternativas (geradores).

E quando não há combustível elas tendem a paralisar. O funcionalismo público também pode ser afectado, porquanto muitos trabalhadores vivem distante dos seus pontos de trabalho. Refira-se que tudo isso acontece depois do corte que Angola fez, na qualidade de país membro da OPEP, na sua produção. A decisão vigora desde Janeiro último e tem como objectivo aumentar o preço do barril de petróleo no mercado internacional. “A redução da produção pode também estar a prejudicar o mercado interno”, admitiu, sublinhando que a situação agrava- se pelo facto de os empresários terem dificuldades para trazer combustíveis refinados para o país.

Um problema que se repete

Voltou a faltar combustível na cidade de Luanda e como conde sequência, verificam-se longas filas nas bombas de combustíveis. Em algumas estradas o trânsito ficou congestionado. São os casos da via do Camama. Na Urbanização Nova Vida também registava-se uma longa fila, que começava antes do centro comercial Xyami até ao interior do posto de abastecimento da Pumangol. O morador do bairro Dangereux Constantino João disse ao OPAÍS: “tive de acordar de madrugada para conseguir abastecer, mas mesmo assim fiquei muito tempo na fila. É uma situação que agora se repete todos os meses. É muito difícil. Alguém tem de resolver este assunto definitivamente”, apelou. Augusto Manuel é outro automobilista que ficou horas na fila para pode abastecer a sua viatura.

Para ele, é uma situação que não se justifica num país produtor de petróleo e que devia investir forte na refinação da matéria- prima. “Num determinado momento tivemos uma alta no preço do barril de petróleo cujo dinheiro devia ser aproveitado para investimentos no sector. Refirome à construção de refinarias em Luanda e na província de Benguela. Mas isso não aconteceu e agora estamos a pagar caro”, considerou. Na ronda que efectuámos, constatamos que na avenida 21  conde Janeiro, por causa do posto da Pumangol que fica próximo da base da Macon, havia, na Segunda-feira,06, uma longa fila de aproximadamente 2 quilómetros.

Mais adiante, depois da antiga rotunda do Gamek, registava-se igualmente uma enorme fila que causava congestionamento no trânsito. O mesmo cenário foi verificado no posto da Pumangol, em Talatona, junto à escola de condução. A fila começava no Mundo Verde até ao posto de abastecimento. E para organizar o trânsito, os agentes da polícia foram chamado a intervir. Alguns meios de comunicação avançam que a província do Huambo está há vários dias sem combustíveis, situação que está a originar também longas filas nas bombas de combustíveis e de gasóleo, com os taxistas a encurtar as rotas e a dobrar o preço habitual da corrida. Em Benguela, a empresa de Produção de Eletricidade (Prodel – E.P) necessita de 450 mil litros diários de gasóleo para assegurar a produção de energia nas diferentes centrais térmicas que alimentam a zona litoral da província (municípios de Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito).

Sonangol de comunicado em comunicado

A Sonangol admitiu no Sábado que há dificuldade no acesso às divisas para a cobertura dos custos com a importação de produtos refinados Em comunicado, a Sonangol- EP lembra que procede à importação de derivados mediante pagamento em divisas, para a venda no mercado nacional em Kwanzas. Além da dificuldade de acesso às dívidas, diz o comunicado da Sonangol, existe uma elevada dívida dos principais clientes do segmento industrial, que consome cerca de 40% da totalidade do combustível, cuja falta de pagamento condiciona também a disponibilidade de Kwanzas para a aquisição de moeda estrangeira. No mês passado, quando faltou combustível em Luanda, e não só, a Sonangol emitiu um comunicado dizendo que o problema era com a logística. A verdade é que os constrangimentos continuam, afectando todos os sectores da economia.

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