Research Atlântico: A moderação da taxa de inflação

A taxa de infl ação homóloga Nacional tem apresentado trajectória de acordo com as expectativas do Governo, com a desaceleração das variações do Índice de Preços no consumidor (IPc) a ser registada nos últimos dois anos

O registo homólogo, durante o ano corrente, variou de 18,22% em Janeiro para 17,56% em Março, com a variação mensal a diminuir de 1,14% para 1,09%, no mesmo período – destaca-se que o registo mensal mantém-se em torno de 1% desde Outubro de 2018, que contrasta com a média registada de cerca de 3% referente a 2016 – e a taxa acumulada fixou-se em 3,32% em Março. O Fundo Monetário Internacional (FMI) perspectiva que a taxa se fixe em 17,5% no fecho do ano corrente, superior à expectativa de 15% apresentada pelo Governo no Orçamento Geral do Estado para 2019.

As expectativas poderão concretizar-se considerando- se a coordenação de políticas pelos reguladores que incluem as perspectivas monetária, cambial e fiscal. A análise monetária revela que a Base Monetária em moeda nacional – liquidez em circulação na economia-, variável operacional da política monetária adoptada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), registou redução homóloga de 6,2% em Março, a quarta redução consecutiva. O registo reflecte principalmente o impacto da política monetária contraccionista em curso, apesar da moderação que tem sido registada no ano corrente, com a base monetária a registar aumento mensal de 3,34% em Março, o segundo consecutivo.

Os agregados monetários registaram incremento homólogo em Março, com a maior variação, de 13,83%, a ser registada no M2 e a menor, de 9,4%, no M1. No entanto, na análise dos primeiros três meses do ano corrente apurou- se uma redução de 0,67% e 0,70%, nos agregados M2 e M3, com o M1 a registar trajectória inversa, ao aumentar 5,11%. Destaca-se que a política cambial em curso também absorve mais liquidez da economia, considerando- se a necessidade de maior montante de kwanzas para a aquisição de cada unidade de moeda estrangeira. Em relação às taxas de juro de referência, com destaque para a Taxa BNA, referencia-se a possibilidade de diminuição gradual nos próximos meses considerando-se por um lado, o objectivo de redução das taxas de juro praticadas no crédito à economia com o objectivo de estimular o investimento em sectores produtivos alternativos ao petrolífero, associado ao possibifacto de no período que compreende o intervalo de tempo entre Novembro de 2011 e o Iº semestre de 2016, caracterizou-se por uma Taxa BNA entre 8,75% e 12%.

O histórico da taxa de juro, associado ao desempenho da inflação de acordo com as expectativas do Governo, poderá contribuir para que a Taxa BNA nos próximos meses reduza para próximo dos níveis acima referidos. Por outro lado, a perspectiva de contínua desvalorização cambial apresentada pelo Banco Central, com o objectivo de garantir a estabilidade cambial, de acordo com as recomendações do FMI, no âmbito do Extended Fund Facility (Programa de Financiamento Ampliado), poderá reflectir-se num intensificar da política monetária contraccionista. A estratégia perspectiva garantir um controlo do impacto da  desvalorização do kwanza sobre a taxa de inflação, para que se mantenha a trajectória decrescente de variação do IPC.

O âmbito fiscal inclui a absorção de liquidez – que impacta na redução de liquidez disponível para o consumo e consequentemente contribui para a moderação da inflação – pela emissão de Títulos do Tesouro, cuja atractividade tem reduzido no ano corrente, pela diminuição das taxas de rendimento. No entanto, a eficácia da política monetária restritiva no controlo da trajectória da inflação poderá ser comprometida pela componente da inflação derivada das importações. O Índice de Preços Grossista – apurado nas superfícies comerciais – apresentou em Março uma variação de 1,35%, com uma contribuição do preço dos produtos importados de 76%.

leave a reply