A nova invenção angolana

Em casa sem dinheiro, todos ralham e ninguém tem razão, lá diz o ditado. O mesmo é dizer que se passa a ter um diálogo de surdos, ou seja, instala- se a confusão. Por aqui, houvesse mesmo transparência, trabalho e verdade, talvez se soubesse, já hoje, se o número de ataques cardíacos subiu ou se desceu com a crise dos combustíveis. A confusão é total, um dia havia falta de dinheiro para a compra de refinados de petróleo, tudo isso ornamentado com desnecessárias referências a estradas, navios etc. O comunicado era da Sonangol. Agora, depois de uma reunião no Palácio Presidencial, ficamos a saber que, afinal, ficou um país inteiro a sofrer porque a Sonangol não comunica com outras entidades do Estado. Não deu ainda para saber se por incompetência, se por birra, se por “achismo” (tipo eu é que pago, não vos ligo). Seja o que for, vai dar no mesmo: incompetência para lidar com as necessidades do país. O filme de terror vai de tal forma que o PCA da EPAL também apareceu para piorar as coisas. Mas este, ao menos falou, deu a cara, para dizer que produz apenas metade da água necessária para Luanda. E de má qualidade, diga-se. Ou seja, o resto, desculpem- me, arranjem-se com cisternas, que há bolsos por encher, apesar dos muitos milhões de investimento várias vezes anunciados para a área. Seja como for, com bom coração ou não, fica na história um registo mundial único, a nova invenção angolana, de um país paralisado, com enormes custos económicos e humanos porque um servidor público, pago pelo Estado, não fala com outros servidores públicos. E permanece no cargo, até à próxima birra, certamente.

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