Escassez de combustível: Quinto dia com longas filas em Luanda

Há relatos de automobilistas que por dois dias não conseguiram abastecer as viaturas e outros que faltaram ao serviço para cumprir as fi las intermináveis em diversos pontos da capital

Com o depósito na reserva, Joaquim Agostinho pediu dispensa no serviço por volta das 11h de ontem, Terça- feira, 7, para enfrentar a fi la longa de combustível na zona do Nova Vida, no Kilamba-Kiaxi, depois de duas tentativas coroadas de insucesso nos dois últimos dias. “Saí do serviço consciente que vou fi car na fi la das bombas nem que seja até amanhã, mas com o depósito cheio”, argumentava o funcionário público, ao volante de um Hyundai Guetz que aproveitava a fazer o trabalho de táxi enquanto se dirigia para casa para trocar de roupa.

De Talatona até à Rotunda do Camama passamos por três bombas, todas sem combustíveis. Entretanto, as filas repletas de viaturas, motorizadas e bidons não paravam de crescer, já que dos funcionários das bombas havia a promessa de um eventual abastecimento dos tanques a qualquer momento. Numa das bombas deste trajecto ouvimos o taxista Domingos Dinis, que disse estar desde às 5h da manhã esperando por este que se tornou num precioso líquido para quem tem como ofício o transporte de pessoas e bens. Segundo o nosso interlocutor, ontem, depois de mais uma jornada laboral, ficou nas bombas até às 0h00, mas sem sucesso, pois até esta hora só havia gasóleo no local em que se encontrava.

Curiosamente, tanto os proprietários das viaturas, quanto os das motorizadas faziam-se acompanhar de um bidons, justificando ser uma medida de prevenção, pois não sabiam quando a situação voltaria ao normal. Questionados sobre se não temiam o perigo que representava o armazenamento deste líquido em casa, responderam que nesta altura é inevitável correr riscos, face à situação de escassez do líquido. “Neste momento não há como não correr riscos. É uma situação inevitável. Temos pessoas a faltar ao serviço para cumprir a fi la”, ironizou, um dos automobilistas. Em alguns casos, o tempo de espera fez com as pessoas ocupassem os lugares com os recipientes (como ilustram as imagens), e apenas regressavam quando o camião cisterna de transporte de combustível chegasse às bombas.

Engarrafamento e intervenção da Polícia

Na Via Expressa, nas bombas situadas entre o Benfica e o túnel da Centralidade do Kilamba, as filas de carros criaram engarrafamentos desde as primeiras horas da manhã, tendo forçado a intervenção da Polícia. A Sonangol admitiu no Sábado, em comunicado, haver dificuldade no acesso às divisas para a cobertura dos custos com a importação de produtos refinados. A Sonangol- EP lembra que procede à importação de derivados mediante pagamento em divisas, para a venda no mercado nacional em Kwanzas. Já o Presidente da República, João Lourenço, chamou na Segunda-feira ano Palácio da Cidade Alta os ministros dos Recursos Naturais e Petróleos, Diamantino Azevedo, da Energia e Águas, João Baptista Borges, e das Finanças, Archer Mangueira, o governador do Banco Nacional de Angola, José de lima Massano, e o PCA da Sonangol, Carlos Saturnino. João Lourenço solicitou um relatório detalhado, tendo em vista a rápida normalização do fornecimento de combustível.

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