Falta de combustível deixa parte do Lubango às escuras

Os cones anunciam a falta de combustível em algumas bombas do lubango, já as longas filas de carros e bidons denunciam a procura do produto pelos huilanos que vêm de todos os pontos da província

POR: João Katombela, na Huíla

A cidade do Lubango, província da Huíla, encontra-se parcialmente às escuras fruto do fornecimento restringido de energia eléctrica, que resulta da carência de combustíveis na província. Apesar de as principais instituições estarem servidas de combustível, como hospitais, rádios e empresas de televisão, muitos cidadãos sentem na pele a falta de combustível que se vive um pouco por todo o país. Isadora Munjila teve de sair de casa às oito horas de ontem (07) e até às 14 horas ainda não tinha abastecido a sua viatura, para com esta deslocar-se ao trabalho.

A nossa interlocutora informou que, por causa disso faltou no serviço (é professora), e o pior só não acontece por se encontrar num período de pausa pedagógica. “Tem graça que isso está a acontecer num período de pausa, porque seria muito mal, mas, mesmo assim, ainda estamos a sentir as consequências da falta de combustível. Tive de sair de casa às oito horas e até aqui (14h) não abasteci a viatura” disse. Por outro lado, Isadora Munjila apela ao bom senso dos responsáveis para que venham a público esclarecer os reias motivos da falta de combustível no país e, principalmente, na cidade do Lubango. António Manuel, morador do bairro da Kaluva, arredores da cidade do Lubango, disse que pela falta de energia na sua casa, muitos alimentos foram levados ao lixo por se terem deteriorado. “Havia peixe de sete mil e carne de oito mil Kz, tivemos de deitar fora. A minha questão é: quem vai repor os danos que a minha família está a ter”? questiona.

Turbina de 25 megawatts no Namibe deixou de funcionar por falta de combustível

Grande parte da cidade do Lubango, província da Huíla, em termos de energia eléctrica tem o fornecimento proveniente de uma central térmica da cidade de Moçâmedes, província do Namibe. A capacidade da central térmica é de 25 megawatts, no entanto, esta potência eléctrica não é debitada na cidade do Lubango, província da Huíla. O Jornal OPAÍS contactou ao porta-voz da Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade, Wilson Haukelo, tendo este respondido que à ENDE cabe apenas distribuir aquilo que recebe da empresa transportadora.

“Nós só distribuímos aquilo que recebemos dos nossos parceiros, no caso a RNT, e, por esta razão, estamos a restringir o fornecimento de energia elétrica à cidade do Lubango”, justificou. Por sua vez, o director regional da RNT, Júlio Job, informou a este diário que as restituições no fornecimento de energia devem- se ao baixo caudal de água na barragem da Matala, associado com a falta de combustível. “De facto, há restrições, não só por falta de combustível, mas também pela estiagem que se regista na barragem da Matala, por isso só temos uma máquina a trabalhar na Matala, com esta falha de combustível só temos disponível para o Lubango e 45 megawatts”, informou.

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