Fórum de Urbanismo defende a fiscalização como o guardiã das cidades sustentáveis

Com o objectivo de encontrar soluções para “os nossos problemas urbanísticos, bem como a concepção de um modelo de planeamento urbano que harmonize os aspectos sociais, económicos e ambientais, tendo a fiscalização como o guardião da implementação efectiva destas cidades sustentáveis”, a ASPIF - Consultoria e Projectos, realiza o Primeiro Fórum de urbanismo e Desenvolvimento Sustentável

A ASPIF – Consultoria e Projectos realiza hoje, 8, o Primeiro Fórum de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável. Estará no centro do debate o desenvolvimento sustentável das cidades, nas vertentes da contratação de empreitadas, fiscalização e impacto ambiental. Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o director-geral da ASPIF, Lutumba Simão, explicou que o primeiro Fórum de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável tem muito a ver com a forma de como estão desenhadas as nossas cidades.

“Nós vimos que é um desenho que já tem um certo tempo e a maior parte das nossas cidades são coloniais, ou seja, fruto dos projectos dos portugueses. Queremos impulsionar o país para atingir um outro patamar, pelo que há necessidade de actualizar certos modelos de urbanismo que já não respondem à demanda da população”, disse. Por causa da mobilidade urbana, decidiram realizar o fórum, no sentido de se conseguir um modelo que seja actual e que convirja com a realidade angolana. Lutumba Simão disse ainda que com a realização deste fórum muita coisa poderá mudar até mesmo a forma de como olhamos para as cidades. “Hoje em dia as cidades já não são simples cidades, as cidades devem estar preparadas para atrair investimentos e turistas. Esse pacote todo é que vai ser discutido durante o fórum”, frisou.

Luanda precisa de uma actualização em termos de gestão de resíduos

De acordo com Lutumba Simão, a cidade de Luanda precisa de uma actualização em termos de gestão de resíduos, porque não temos uma gestão que garanta a protecção da saúde das populações, uma vez que ainda não reciclamos o lixo e o este é levado ao aterro. Hoje em dia, esta não é uma forma sustentável de gestão de resíduos sólidos. “Neste momento Luanda é uma cidade que não está integrada. Podemos ver que para chegar a certos pontos da cidade levamos muito tempo. Há necessidade de olharmos para os transportes públicos noutras vertentes”, enfatizou.

Por sua vez, Lourdes Brazil Argueta, economista e pesquisadora do grupo de pesquisas engenharia de cidades de sustentabilidades da Universidade Federal Florez do Rio de Janeiro, que será uma das prelectoras, diz que as cidades têm um papel fundamental no processo de desenvolvimento e, para que elas cumpram esse papel, precisam atender a certas exigências, como a Sustentabilidade e a Competitividade no Mercado Global das Cidades. Falando da sua experiência no Brasil, Lurdes Brazil Argueta disse que os projectos, além de serem caros, são completamente isolados e não há uma política urbana. Os sectores do lixo, água, transportes não conversam e não têm uma ligação entre eles, isso faz com que não haja sinergias em diversos sectores, por isso, perde-se muitos recursos, e os resultados ficam aquém do esperado.

A economista e pesquisadora aproveitou a ocasião e deixou uma mensagem a todos os que usufruírem da cidade e que necessitarem da mesma que se divirtam a ter uma qualidade de vida. “É preciso ter um sistema de governança em que todos participem, porque a construção de uma cidade não é só para engenheiros, arquitectos, urbanistas”. É uma tarefa para pedagogo, assistente social, historiador, engenheiros civis e todos precisam entender que a cidade não é um grande canteiro de obras em que se fazem prédios, ruas, pontes, viadutos, mas sim, um espaço de relações de grupos e pessoas de diferentes interesses e que todos estes precisam de participar.

O grande desafio é fazer com que toda a população participe Explicou que o grande desafio é fazer com que toda a população participe e para que isto aconteça é necessário a criação de conselhos e grupos. “Essas pessoas precisam ser ouvidas e levadas em conta, porque são elas que no dia-adia vivem na cidade. Assim como os empresários e todos os sectores precisam ter esse acordo. O Primeiro Fórum de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável reunirá prelectores nacionais e estrangeiros, com destaque para a participação de Lourdes Brazil dos Santos Argueta, Pós-doutora em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nayibe Florez Bazunartea, Doutora em Projectos Urbanísticos, Antonio Venâncio, Mestre em Ciências Técnicas e a Dra, Domingas Ngolofi.

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