Palavra de quem?

Palavra de quem?

Há uma frase que os pais devem usar para dar segurança aos filhos pequenos e para os ensinar a honrar compromissos: “palavra de príncipe (ou princesa) não volta atrás”. Ou seja, compromisso assumido é tarefa cumprida. Isto resulta em segurança e em confiança, ensina as crianças a dizer a verdade também, além de permitir um excelente meio de educação pelo exemplo. Quando um pai diz isso ao seu filho é para não falhar. Não foi palavra de príncipe, seguramente, a promessa de que a partir de Terça-feira veríamos a situação dos combustíveis resolvida. Esta promessa mereceu até a honra de manchete. Depois passou-se para Quarta- feira, e nada. Então, nós, cidadãos, ficamos só já a olhar, a brincar com o drama, impotentes ante notícias como as de os doentes renais em Benguela terem ficado horas sem tratamento porque não havia água no hospital, situação decorrente da falta de electricidade, também ela decorrente, em última instância e infelizmente, porque a hídrica não chega, da falta de combustível para as fontes alternativas de geração de energia e para os camiões cisterna de quem vende água. Não, não estamos a viver um momento divertido, apesar da centena de piadas e anedotas que correm para poupar os corações, e apesar, seguramente e como sempre, de não se ir fazer um inventário dos estragos de certos silêncios, nem que seja para aprender e não se voltar a repetir a gracinha.