Corrida contra o tempo ou o tempo perdido sem correr

Corrida contra o tempo ou o tempo  perdido sem correr

Agora vamos acelerar na azáfama do lufa-lufa para a construção de refinarias de petróleo, mas ao ritmo que vai o mundo, se continuarmos na marcha à angolana, então corremos o risco de um destes dias termos mesmo mais uma ou duas refinarias, mas que talvez venham a representar makas para o seu pagamento. Não estou a ser agoirento, estou só a pensar com os dados de hoje, com a Europa a decretar estado de emergência ambiental em alguns países, com as marcas a lançar cada vez mais carros híbridos ou totalmente eléctricos e com os movimentos ambientalistas cada vez mais fortes… vou directo: corremos o risco de ter refinarias, gasolina e gasóleo em barda mas não termos carros. Porque não fabricamos carros e os a combustão começam a decrescer em nos números totais de fabricação. A não ser que assumamos que vamos importar só carros usados, a combustível, mas depois teremos também a cena das peças sobressalentes, etc. Está duro. Digo isto porque, como sempre, as crises angolanas são crises desperdiçadas. Não vi um único professor, investigador, inventor, ou o que seja a vir falar de alternativas aos combustíveis, ou aos meios e métodos de locomoção, ou à organização das cidades, ou mesmo do trabalho nestes dias de crise dos combustíveis em Angola. Ficou-se tudo pelo habitual berreiro e ping-pong de culpas. E também não se falou de energias limpas e renováveis, mesmo com as cidades às escuras, com a economia parada. Não há dúvida que somos um povo especial. Estamos satisfeitíssimos com a exoneração de uma pessoa.