Cruz vermelha de Angola queixa-se de falta de financiamento

No seu 41º aniversário, a organização humanitária queixase de falta de financiamento para a implementação de determinados projectos sociais

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

A Cruz Vermelha de Angola, criada pelo decreto nº 25/78, de l6 de Março de 1978, foi reconhecida pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha a 1 de Outubro de 1986 e filiada como Membro da Federação das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. A Cruz Vermelha de Angola foi constituída nos termos das Convenções de Genebra, de que a Republica de Angola é parte aderente.

É uma associação auxiliar dos poderes públicos, com fins “assistênciais” e de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa e financeira com carácter voluntário e desinteressado, cuja acção assenta em 7 princípios elementares, designadamente humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, carácter voluntário, unidade e universalidade. Em entrevista a OPAÍS, a propósito do 41º aniversário, celebrado Quarta-feira, 08, o responsável da Cruz Vermelha em Benguela, José Sambiliye, avançou que, neste momento, a organização humanitária está no processo de reestruturação, derivada de algumas práticas do antigo Conselho de Administração, que há 12 anos não realizava a assembleia- geral.

Entretanto, em Agosto de 2018, realizou-se a referida assembleia, em que foi eleito o novo corpo directivo, apesar de se ter ficado por aprovar o Plano Estratégico e proceder- se à revisão aos Estatutos. Em função disso, prevê-se, para o próximo mês de Junho, a realização de uma assembleia-geral extraordinária, ocasião que será aproveitada para aprovar os referidos instrumentos de gestão da organização humanitária para os próximos 4 anos. O responsável adianta que a falta de financiamento internacional e nacional a projectos de cariz social afigura-se entre as principais dificuldades que a sua instituição enfrenta, contudo, acredita que o problema ultrapassar-se-á depois da assembleia-geral extraordinária, “para começarmos a actuar conforme a própria tradição da Cruz Vermelha”.

De acordo com José Sambiliye, a organização humanitária foi perdendo financiamentos internacionais devido à alegadas práticas de má gestão dos últimos 12 anos, supostamente protagonizado pelo anterior corpo directivo eleito em 2006, tendo, por essa razão, sido sujeitada a sanções pelo Movimento Internacional da Cruz Vermelha de Angola “Com base nisso, a Cruz Vermelha sofreu esse tempo todo, praticamente não podia fazer nada, enquanto não mudasse as políticas e eleição do corpo directivo. Durante 12 anos, a cruz vermelha ficou no ponto zero”. Enquanto se criam as condições para a organização humanitária desempenhar o seu papel plasmado nos estatutos, disse, desenvolve- se uma série de acções de prevenção de doenças como a malária e doenças sexualmente transmissíveis, de entre outras, em parceria com o Departamento de Saúde Pública do Gabinete Provincial da Saúde.