Exposição “Minas e Ruínas” de Cristiano Mangovo desperta curiosidades em Lisboa

A mostra, realizada no âmbito da programação cultural do mês de África, tem como comissária Graça Rodrigues e reúne 12 obras inédias, produzidas em torno dos Direitos Humanos, cuja defesa tem sido, ao longo dos anos, temática central na obra do artista

“Minas e Ruínas” a mais recentecriaçã o do artista angolano Cristiano Mangovo, inaugurada esta Terça-feira no Centro de Documentação do Edifício Central da Câmara Municipal de Lisboa, entra no seu quarto dia com novas visualizações. Segundo a comissária e produtora Graça Rodrigues, a colecção que está a ser exibida no âmbito da programação cultural do mês de África é constituída por um conjunto de obras inéditas de pintura produzidas em torno dos Direitos Humanos e estará ao dispor do público até 20 de Maio.

A comissária adiantou que através desta exposição, Cristiano Mangovo propõe uma reflexão profunda sobre as práticas artísticas actuais e as suas possíveis implicações na sociedade. Tendo por base a complexa realidade da precariedade laboral na indústria de mineração de diamantes, ouro e cobalto em África, que se replica em diferentes pontos do vasto continente, a colecção é também pretexto para a uma reflexão profunda sobre as práticas artísticas actuais e as suas possíveis implicações na sociedade. A través da produção de um núcleo de 12 telas de plasticidade disruptiva e cores vibrantes, Cristiano Mangovo fabrica outras tantas narrativas que encorajam a aberta problematização de uma realidade pautada por imagens de violência, desigualdade e injustiça social.

Graça Rodrigues fez saber que no panorama artístico internacional, considerando o âmbito geracional em que Cristiano Mangovo se inscreve, a sua pintura tem segura integração num campo que se tem vindo a afirmar solo fértil e caro para os jovens artistas da Diáspora africana. A sua motivação pende para a crítica dos modelos organizacionais vigentes nas sociedades contemporâneas e traduz- se, entre pares, num corpo de trabalho que se aproxima à esfera do Artivismo, onde as visões de protesto emergem e proliferam através da expressão criativa, que coloca sob escrutínio não só a agenda política internacional mas, sobretudo, a consciência colectiva da sociedade de consumo ocidental.

A condição de refugiado, que marcou a infância de Cristiano Mangovo, concedeu-lhe um ponto de vista muito singular sobre a fragilidade da condição humana. Talvez por isso assuma através da sua pintura, o papel de porta-voz de uma contra-narrativa, que questiona a capacidade crítica de um mundo contemporâneo alheado, submergido numa antiga, mas ainda prevalecente, visão euro-centrada da existência e na emancipação recente de uma geopolítica florescente em renovados discursos de nacionalismo e individualismo.

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