Sonangol anuncia subida do preço do combustível para os próximo dias

Depois da crise que parece estar ultrapassada, a Sonangol acaba de anunciar, para os próximos dias, o aumento do preço dos derivados de petróleo. Economista reage sem surpresa, mas diz não ser o melhor momento

O anúncio do aumento dos preços dos combustíveis foi feito pelo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Pai Querido Gaspar Martins, no Palácio Presidencial, onde tomava posse. No entanto, não avançou qualquer data. “Será para breve”, limitou-se a dizer. O responsável assegurou, por outro lado, que há Stock suficiente para normalizar a situação do abastecimento de combustível, afirmando que as enchentes que ainda se verificam estão relacionadas com o tempo em que houve escassez. Actualmente, o preço do litro de gasolina é de 160 Kwanzas, e antes da subida, em Janeiro de 2016, era comercializado por 115 Kwanzas.

O gasóleo é comercializado por 135 Kwanzas, quando em 2016 era comprado por 90 Kwanzas. Recorde-se que o FMI recomendou em 2018 o ajustamento do valor de venda dos combustíveis, de formas a “reflectir as mudanças nos preços internacionais” e na taxa de câmbio, introduzindo “um mecanismo automático de ajuste de preços”. Apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo em África, Angola importa cerca de 80% dos combustíveis que consome, devido à reduzida capacidade de refinação interna.

Decisão acertada, mau período

Ainda que com alguma surpresa e até contestação, há quem tenha ideia diferente em relação à subida dos preços dos combustíveis, anunciada para os próximos dias. Para o presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, a medida é acertada, tendo afirmado ser “urgente a subvenção dos combustíveis para os sectores chaves da economia, de forma a reduzir-se o impacto negativo nos serviços”, alertou. Entretanto, diz que a medida anunciada pelo PCA da Sonangol vai, naturalmente, pesar para a depreciação da moeda nacional.

José Severino disse ainda que a redução das reservas internacionais líquidas mostrou que se não se fizer ajustes aos preços, provavelmente as reservas nem sequer dariam para importar por mais três meses. Explicou que “os ajustamentos devem ser feitos de forma progressiva para que o Estado subsidie sectores como a agricultura, pesca educação e saúde, que são as garantias do país, particularmente da agricultara e matérias-primas para a indústria e exportações”, sublinhou. E de uma coisa o presidente da AIA não tem duvidas: “é perfeitamente lógico que se façam ajustamentos aos preços, reconhece. Todavia, ressalva que “esperamos que estes reajustamentos sejam progressivos para abrandar o impacto”.

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