EPAL garante ter sido solucionado problema de má qualidade da água

a empresa alega que os problemas foram resultantes de alterações climáticas e desmente a existência de ruptura no stock dos produtos de tratamento

O porta-voz da Empresa Pública de Águas de Angola (EPAL), Vladimir Bernardo, garantiu ontem, em Luanda, terem sido ultrapassadas as dificuldades para a preservação da qualidade da água distribuída à população.

De acordo com o responsável, a baixa qualidade do líquido devia-se às alterações da água bruta, captada nos rios Lwei e Bengo, que afectaram as substações do Bita e Kifangondo, responsáveis pelo fornecimento do serviço à centralidade do Kilamba, bem como aos bairros do Cazenga, Marçal e Vila Alice.

“As chuvas faziam com que fosse arrastada grande quantidade lama ao rio, fazendo com que a água não tivesse o aspecto habitual, o que, de certa forma, contribuiu para que não chegasse no melhor estado aos consumidores”, justificou.

As alterações, em nada estão relacionadas com a falta de químicos para o tratamento da água como o sulfato e cloro, uma vez que a instituição afirma que nunca houve ruptura no stock. Facto contrariado pelo sindicato dos trabalhadores afectos à CGSILA, que afirma que a quantidade é muito baixa para as necessidades diárias da empresa.

Questionado sobre se a adesão de mais de 300 técnicos à greve que decorre desde o dia 28 de Março de 2019 não está a condicionar a qualidade dos serviços prestados à população, Vladimir Bernardo afirmou que não, visto terem sido criadas medidas de contingência para que tal não sucedesse.

“Podem ocorrer restrições, mas nada relacionado com a greve. Nós estamos a trabalhar em pleno”, defendeu. Quanto ao assunto, esclareceu ainda que de momento estão a ser realizadas restrições dos serviços na centralidade do Kilamba, devido à limpeza dos “booster”.

Sindicalistas levados a tribunal

Por seu turno, o primeiro-secretário da Comissão Sindical CGSILA, António Vasco Martins Domingos, afirmou que está a decorrer em tribunal um processo judicial levantado pela própria empresa, que afirma não haver legalidade para a implementação da greve.

Segundo a fonte, o referido processo está a ser mediado pela Inspecção Geral do Trabalho e neste momento aguardam pela deliberação do juiz da causa. O entrevistado recorda que no princípio das negociações, isto a 24 de Abril, a comissão sindical defendia que o salário mínimo dos técnicos fosse acrescido de 50 para 150 mil Kwanzas.

Não havendo aceitação, foi sugerido que ficasse orçado em 100 mil, valor também recusado pela direcção da EPAL. Para contrapor a proposta, António Domingos frisou que a 3 de Maio de 2019, dia da última negociação com a direcção da EPAL, sugeriram que o valor fosse pago de forma gradual, isto é, 30 por cento no ano em curso e os outros 70 em 2020.

A sugestão foi rebatida pelo corpo directivo de modo a que o ajuste salarial fosse feito em 2020, na ordem dos 15 a 30 por cento. “A greve continua devido à inflexibilidade da entidade patronal. Já nos sentamos à mesa três vezes, mas ainda não houve consenso”, alegou.

Importa realçar que a comissão sindical dos trabalhadores da EPAL filiada na Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA) iniciou uma greve desde o dia 28 de Março de 2019. Os grevistas alegam que a entidade patronal não está interessada em resolver os problemas que afectam as suas condições económicas e sociais, que, por consequência, acabam por afectar o seu desempenho profissional.

Na lista de reivindicações, composta por 12 capítulos, além das reclamações em torno da falta de um ajuste salarial e a suspensão do seguro de saúde, constam relatos de funcionários que são obrigados a levar de casa o próprio material de limpeza (esfregonas, baldes e vassouras) para trabalharem, de forma a evitarem processos disciplinares.

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