As filhas são dos pais

As mães costumam a queixar-se das fi lhas que criam e acompanham enquanto o pai trabalha fora, por exemplo, e que quando ele chega a filha passa para o “outro lado”, é só amores para o papá. Deve haver alguma coisa que explique bem isto tudo. Pelo menos na política angolana há filhas que mostram bem como são “caninas” na defesa dos pais.

Mas, antes, devo dizer que não estou a gostar nada do mau exemplo que o MPLA tem dado nos últimos dias. Pelas histórias que ouvi e vou ouvindo, acho que, pelo menos no mês de Maio, os camaradas deveriam deixar as suas diferenças de lado e homenagear os mortos, sabemos do que falo.

Com os ataques de parte a parte e os insultos a que temos assistido, não há como não lembrar a tensão e os problemas do passado. Além disso, estamos a um mês do Congresso, julgo que os problemas do partido deveriam ser discutidos no Congresso e nas reuniões de preparação, não na rua e na Internet.

O MPLA já não é como antigamente e nunca voltará a ser, mas numa coisa parece manter a tradição: Tivemos a fi lha de Mário Pinto de Andrade a lutar pela memória do pai, embora sem grandes alaridos.

A filha de Agostinho Neto, Dra. Irene, também deu algumas entrevistas e fez pronunciamentos a reivindicar respeito pelo legado do pai, principalmente nos últimos anos, e a criticar a gestão do seu sucessor.

Agora temos filhas de José Eduardo dos Santos a atirar-se contra a gestão de João Lourenço e a pedir respeito pelo legado do seu pai. Será que no futuro também teremos as fi lhas de João Lourenço a sentirem-se “obrigadas” a vir à rua defender o seu pai? É caso para dizer aos dirigentes do MPLA, “tenham fi lhas”!

error: Content is protected !!