Research Atlantico: Os efeitos da tensão comercial

As tensões comerciais entre os eua e a China voltaram a dominar os destaques na última semana, com penalizações sobre as expectativas dos investidores

No passado dia 05 de Maio, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o agravamento, de 10% para 25%, das tarifas impostas a 200 mil milhões USD de produtos importados da China, a partir do dia 10 de Maio. Os últimos dados divulgados pela Bloomberg, demonstram que durante o mês de Abril, o superavit comercial da China com os Estados Unidos da América registou um incremento mensal de 2,5%, para 21,014 mil milhões USD. Destaca- se que apesar do incremento, a análise dos primeiros quatro meses do ano revela uma redução de 23%.

As negociações para o alcance de um acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo continuam a progredir, no entanto, as incertezas associadas à finalização do processo têm pressionado a confiança dos investidores, que se mostram cada vez mais cautelosos e receosos. Como resultado, os principais índices bolsistas apresentaram tendência decrescente, na segunda semana de Maio. O Dow Jones, dos EUA, apresentou redução de 2,12% situando-se em 25.942,37 pontos, o menor nível das últimas oito semanas. Paralelamente, o índice bolsista da China, CSI 300, reduziu 4,7% na última semana, fixando-se em 3.730,45 pontos, o menor nível desde a última semana de Abril. Os receios dos investidores de que as duas economias não alcancem um acordo comercial, proximamente, poderá justificar o desempenho dos índices bolsistas.

No mercado petrolífero, o crude foi penalizado pelos receios dos investidores relativamente ao impacto da disputa comercial entre os dois países sobre o crescimento económico mundial, o que poderá reflectir-se numa redução da procura por crude. A cotação do Brent reduziu 0,32%, situando-se em 70,62 USD/barril, enquanto o WTI registou diminuição de 0,45%, fixando-se em 61,66 USD/barril. Por sua vez, o ouro, beneficiou das incertezas, com os investidores a optarem por activos mais seguros, como o caso do ouro. Durante a semana transacta, a cotação do metal precioso situou-se em 1.286,05 USD/onça, que representa um incremento de 0,54%. No mercado cambial, o dólar não ficou isento do impacto das tensões comerciais, com o índice que mede o desempenho da moeda norte-americana face às principais contra-partes, USD índex, a reduzir 0,19%, ao fixar-se em 97,33 pontos no período em análise.

A performance do dólar reflecte os receios resultantes da possibilidade da Reserva Federal norte-americana decidir reduzir a taxa de juro de referência devido as tensões comerciais que impactaram o crescimento da economia. As tensões comerciais têm impactado a economia mundial desde o ano passado, e os apelos para a concretização de um acordo comercial continuam a merecer especial atenção. A directora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, declarou, no Fórum de Paris, dedicado ao endividamento dos países em desenvolvimento, que o crescimento económico mundial poderá ser a maior vítima da guerra comercial. Lagarde alertou também para a necessidade de uma resolução satisfatória para todos.

À semelhança, o líder da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ressaltou que uma resolução do impasse comercial representa a única solução para evitar o arrefecimento da economia mundial. Segundo, Juncker parte dos problemas económicos que se têm registado actualmente, precisa ser inserido no contexto das tensões comerciais. A apetência dos investidores poderá enfraquecer se os mesmos considerarem que os temas podem ser resolvidos, brevemente. Relativamente aos impactos das tensões comerciais para Angola, importa ressaltar, que os últimos acontecimentos desenvolveram-se numa altura em que a Proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado Revisto encontra-se na Assembleia Nacional para apreciação. O documento prevê como preço de referência do barril do petróleo, cerca de 55 USD/barril, sendo que a indefinição de um acordo comercial poderá penalizar a cotação internacional do crude.