Carta do leitor: É preciso repudiar

POR: Carlos Bengo Luanda

Caro director, receba o meu fraterno cumprimento! Antes de tudo, começo a elogiar o bom trabalho que toda sua equipa tem desenvolvido. Fruto disso, é o facto de termos todos os dias um bom jornalismo nas vossas páginas. Parabéns e continuem assim, com esse brilho. Indo directo à minha preocupação, começo por dizer que ontem li, num jornal, o caso de um professor, na centralidade do Kilamba, que foi condenado pelo Tribunal de Luanda por ter levado uma aluna à pensão, supostamente para a mesma fazer uma prova de superação académica. Caríssimo, como deve imaginar, é um caso grave e repugnante a todos os níveis porque, primeiro, não há nenhuma ligação entre escola e pensão. Segundo, é muita imoralidade, um professor sair com uma aluna para satisfazer os seus intentos sexuais em troca de notas escolares, independentemente da idade. No meu entender, embora não tenha nenhum conhecimento jurídico, o tribunal fez bem o seu trabalho ao condenar o professor por, conforme li, falsificação de documento, já que o tipo poderia levar a prova feita na pensão até à direcção da escola como se a menina tivesse feito no recinto escolar. Por outro lado, por se tratar de duas pessoas adultas, conscientes, também acho que a estudante devia ser responsabilizada por ser conivente e ser parte do “crime” (com as devidas aspas). Ela é adulta e poderia responder também pelo acto, porque com a ajuda do professor, pagando com o sexo, a mesma quis falsificar a prova. Confesso que fiquei indignado quando soube que a jovem não foi responsabilizada. É chocante e repugnante, porque se ela fez com o professor X, amanhã fará novamente com o Y. Então, para travar tais práticas, devia cortar-se o mal pela raiz, responsabilizando a tipa que, no meu parecer, nem é digna de ser chamada de estudante. Caro director, não podemos continuar a olhar essas nossas meninas como meras vítimas. Elas são cúmplices. São responsáveis pela vida que levam por quererem tudo da forma mais fácil. E nós, enquanto sociedade, não podemos olhar assim de ânimo leve. Essas miúdas são muito espertalhonas. Muitas vezes, são elas próprias que assediam os professores e em troca de boas notas disponibilizam o que elas mais têm de valor: sexo. Por isso, o meu apelo vai aos pais no sentido de conversarem muito com os seus filhos para não continuarmos ver essa geração de mocinhas a auto-destruírem-se por um minuto de prazer. Compreendo ser preciso que se reforce o diálogo em casa e na comunidade, sob pena de estarmos a criar uma geração falhada. É preciso repudiar e ensinar às nossas jovens que a vida é dura. E que tudo o que se alcança em troca de sexo não tem valor. Tenho dito, obrigado.

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