Laboratório do Lubango volta a produzir vacinas para galináceos

Após seis anos paralisado, o Laboratório Regional de Vacinas para doença de Newcastle, instalado em 2008 no Lubango, província da Huíla, voltou a funcionar e já produziu, de Janeiro a Abril deste ano, 189 mil e 750 doses para galináceos, mais 48 mil e 850 em relação ao último quadrimestre de 2018. Com uma capacidade para 379 mil e 500 doses por mês, embora tenha retomado em Maio de 2018, com o fabrico experimental de cinco mil e 290 doses da vacina, só este ano se alcançou a produção com regularidade.

Em declarações ontem à Angop, o gestor do Laboratório, Inácio Filipe, disse que pretendem, até finais de Dezembro próximo, produzir 759 mil doses de vacina, como resultado da quantidade de ovos disponíveis para o efeito. Explicou que a paralisação da produção de vacinas deveu-se a dificuldades financeiras, que impossibilitou a aquisição de suplementos, mas um financiamento da União Europeia de 1,5 milhões de Euros permitiu a reactivação do projecto. A produção é canalizada aos serviços veterinários que por sua vez distribuem para os aviários do país.

Par se atingir a produção de 379 mil e 500 vacinas – capacidade instalada, Inácio Filipe disse que é preciso a instalação de uma rede de energia eléctrica estável, seringas automáticas de inseminação e mil e 200 ovos embrionados que servem para o fabrico da vacina. “Temos preparado a vacina com ovos embrionados apresentados em forma líquida como gelatina, através de um frasco que contém 230 doses e conservado na cadeia de frio, para a manutenção das propriedades a fim de obter melhores efeitos”, explicou. Na província da Huíla existem mais de 472 mil e 800 aves, segundo dados distribuídos pelas fazendas e criadores de galináceos.

Dificuldades do Laboratório

O laboratório conta com 12 funcionários, mas devia ter o dobro, desde especialistas em toxicologia, imunologia e farmacêuticos para promover a qualidade da actividade. Além de recursos humanos, precisa-se também de equipamentos como aparelho de fluxo laminar, para a inoculação e colheita do líquido alantoide nos ovos que se tornam vacinas. Carece, igualmente, de balanças analíticas ou de precisão, assim como estufas, câmaras de conservação e meios de transporte para actividade de campo. Há igualmente necessidade de meios para a incineração de resíduos, para além de reforço do stock de ovos embrionários fecundados para a respectiva produção das aves.

Uma das preocupações manifestadas tem que ver com a necessidade de três seringas automáticas para a distribuição de vacinas e 825 frascos de vacinas. O gestor solicitou também a revisão dos equipamentos existentes ao nível do Instituto de Investigação Veterinária (IIV) para melhor servir em termos de produção e conservação dos ovos. A doença de Newcastle, descoberta na Indonésia em 1926, é uma enfermidade viral aguda, altamente contagiosa que acomete aves silvestres e domésticas, com sinais respiratórios, frequentemente seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema na cabeça.

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