Momentos V.I.P.

Cada pessoa terá direito aos seus quinze minutos de fama, esta é uma daquelas assumpções sobre as quais nem vale a pena discutir origem, razões, etc., a frase é mesmo de Andy Warhol, o já mítico artista pop norte-americano. Em Angola a coisa é posta de outra forma, esta sociedade que inventou categorias e categorias para VIP, com os vipíssimos, super-VIP, altamente VIP, etc., ainda que todos apanhem a mesma malária que o “povo em geral”, há muito decidiu que na vida todos têm, pelo menos uma vez, o seu momento VIP na vida. Ou na morte. Se o outro que era membro do Governo ia paquerar uma moça (sem que a mulher dele soubesse, claro) mostrando- se importante e dando-lhe importância, indo com escolta, motorista, etc., só para as amigas “sentirem” o que é ser VIP, o “povinho” não se deixa ficar, se não for em vida, vinga- se na morte, é só ver como são os funerais, com batedores de motorizadas à frente, fechando ruas, afastando os outros utentes da via, agredindo, batendo nos carros para se afastarem, toda uma encenação semelhante à dos VIP’s vivos quando temos o azar de nos cruzarmos com eles em espaço público, com a ressalva de o morto já não poder ser tido como mal educado. Sim, o VIP morto é bem educado, o Carnaval é feito por outros, o VIP vivo angolano gosta de ver e ordena o festim, degusta o seus quinze minutos de fama (eles gostam, extasiam-se, para não dizer outra coisa) até à exoneração, à chegada da PGR, agora, ou à falência dos negócios porque o primo foi exonerado de uma torneira pública. “Espectáculos, mazé”! mas não deixa de ser triste.

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