Comandante que matou subordinado invoca perturbações mentais

Está a ser julgado, em Luanda, o comandante da polícia Nacional do distrito do patriota, apontado como autor dos disparos que vitimaram mortalmente um agente e deixaram outros dois feridos. Em julgamento, o comandante terá colocado em causa as suas ‘faculdades mentais’, pelo que nos autos contam documentos que provam o contrário

Retoma, hoje, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra Van- Dúnem”, o julgamento do comandante João Lourenço Neto, acusado de ter disparado mortalmente contra o seu subalterno Fernando António e deixado gravemente feridos dois outros colegas, em Maio de 2018. Coincidentemente, o julgamento teve início no mesmo mês (Maio) em que ocorreram os factos, um ano depois do enterro de Fernando António, que deixou viúva e 10 filhos, cidadão que ingressou na Polícia Nacional em 2008.

Salvador Simão, irmão da vítima, em entrevista ao jornal OPÁIS, confirmou ter tido início na Segunda-feira o julgamento do comandante que terá matado o seu parente. O julgamento, à porta fechada, segundo o entrevistado, ficou marcado com as declarações do réu João Lourenço Neto e a presença dos dois agentes feridos pelos disparos feitos por ele. O réu, ouvido das 8 às 15h, a princípio começou por justificar a sua acção alegando estar, na data dos factos, embriagado e ter sido drogado. “Disse que estava inconsciente e não sabia o que estava a acontecer. Por outra, foi invocada uma declaração assinada pelo réu alegando estar a sofrer de perturbações mentais”, disse.

O juiz da causa voltou a perguntar ao réu se sofre de algum problema mental, pelo que este respondeu negativamente, facto que indignou o tribunal, que foi obrigado a mostrar-lhe a declaração que João Lourenço Neto assinou, invocando sofrer deste tipo de problema, durante a instrução preparatória. A invocação de estar a sofrer de perturbações mentais é uma das razões que contribuíram para a demora no início do julgamento, porque tinham de ser feitos exames, estes que deram todos negativos. Esta revelação deixou o réu numa situação constrangedora e menos boa para o seu lado. Hoje, continua a audição do comandante, bem como, dependendo do tempo, serão ouvidos os dois polícias que presenciaram o acto e foram atingidos com quatro e três tiros respectivamente.

O desenrolar dos factos

Dois tiros na cabeça e quatro no peito levaram à morte imediata do agente Fernando António, de 43 anos, dentro do carro da divisão da Polícia em que trabalhava. Os disparos, feitos pelo comandante da esquadra do Patriota, deixaram também ferimentos graves nas pernas e tronco a outros dois colegas. Fernando trabalhava na Divisão do Talatona e, normalmente, quando largava tarde aproveitava a boleia de um colega. Na data dos factos, antes de sair com o colega, o comandante do distrito estava embriagado e pediu que o deixassem em casa. “Saíram os quatro, mas, no Patriota, o comandante João Lourenço Neto pediu que fizessem uma paragem, pois precisava de urinar. Tão logo terminou de urinar, sacou da pistola, sem mais nem menos, e disparou contra os três que estavam na viatura”, conta Salvador, irmão da vítima mortal.

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