Compensações do ANGOSAT-1 garantem Internet gratuita no país

Apesar de ter ocorrido um imprevisto no lançamento do primeiro satélite angolano, o Executivo gizou um programa que vai, de forma regular, permitir o lançamento de vários artefactos desta índole, visando assegurar serviços diversos em prol do desenvolvimento socio-económico do país

Angosat é nome do projecto estruturante, estabelecido no âmbito da estratégia espacial nacional, e arrancou com a construção do primeiro satélite angolano, cuja finalidade era prestar serviços de telecomunicações, mas, infelizmente, não entrou em serviço. No projecto está estabelecida uma estratégia continuada, pelo que o próximo passo é o da construção do terceiro artefacto desta geração, designado ANGOSAT-3 e que terá como missão a observação da terra. A construção do Angosat- 3 está a cargo da gigante europeia Airbus, a maior construtora de satélites do mundo.

Na decorrência dos projectos ANGOSAT-2 e 3, está prevista até 2022, a formação de pelo menos 14 mestres em Engenharia, Tecnologia e Aplicações Espaciais nas melhores universidades de França. Os esclacimentos são do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação que, através do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, acrescenta que quanto ao ANGOSAT-1 a contra-parte do contrato continua a trabalhar no satélite de substituição, assim como a garantir as compensações acordadas.

Assim sendo, enquanto se aguarda pela construção do Angosat-2, que teve início a 24 de Abril do ano passado, o país está a beneficiar de cerca de 288 Megahertz, equivalentes aproximadamente a dois cabos de fibra óptica em STM-1. O Ministério da Saúde é um dos grandes beneficiados no âmbito destas compensações, através do programa de telemedicina, um serviço já instalado no Huambo (todos os hospitais municipais) e no Hospital Central da Lunda-Norte. O programa de telemedicina estender- se-á brevemente às províncias do Moxico e Lunda-Sul, e mais tarde a todas as províncias do país, com o trafégo assegurado pela contraparte russa até que o ANGOSAT- 2 seja concluído, lançado e operacionalizado. A telemedicina permite que pacientes, a partir do local em que se encontrem, possam ter consultas de forma remota com médicos especialistas em Luanda, por exemplo.

Outro beneficiário, segundo a nossa fonte, é o Ministério da Comunicação Social, através da TPA, que usa a disponibilidades de satélite cedida pela parte russa para assegurar a transmissão do programa “Bom Dia Angola”, jogos do Girabola, acontecimentos em directo e alguns programas de entretenimento. Os operadores nacionais de telecomunicações, que já tinham reservado cerca de 10% de espaço do ANGOSAT-1, neste momento usam os mesmos serviços para levarem comunicação às zonas onde não há ainda infra-estrutura de telecomunicações solidificadas, disponibilizando serviços de telefonia e Internet. Outros beneficiários são os projectos de cariz social, com destaque ao Angola online, que visa levar Internet grátis a escolas e locais públicos, o que permitiu que vários pontos instalados no país disponibilizem Internet.

Quanto a clientes estrangeiros, que tinham igualmente manifestado interesse em alugar espaço no satélite angolano, atendendo que, afinal, nenhum efectuou qualquer pagamento, não estão a ser contemplados no leque de disponibilidade de espaço dos satélites russos. “Nenhuma empresa internacional fez algum pagamento antes ou depois do lançamento do satélite Angosat-1 e a indústria não recomenda a recepção de dinheiros antes da confirmação dos testes em órbita. O que se faz e foi feito são contractos promessa ou de intenção”, asseverou a nossa fonte, que garante que o país não está em falta com ninguém neste quesito. Neste momento, Angola participa como principal gestor das compensações cedidas pela parte Russa, e faz a gestão autônoma em função das necessidades do Estado. Para auxiliar a gestão, foi instalado no Centro de Controlo e Missão de Satélites (MCC), na Funda, um sistema de monitoramento constante da utilização das referidas capacidades.

O Centro da Funda encontrase em pleno funcionamento e é assegurado por mais de 40 especialistas angolanos que acompanham as complexas etapas de construção do Angosat-2. A partir do centro da Funda é possível operar pelo menos até 3 satélites de forma simultânea, o que, em princípio, deverá servir para operar os ANGOSAT-2 e 3. Segundo ainda a nossa fonte, o número de satélites a serem lançados por Angola dependerá da dinâmica e das avaliações constantes que vêm sendo feitas sobre as necessidades de soluções tecnológicas que possam contribuir para o desenvolvimento harmonioso da economia e o aumento da capacidade tecnológica do país. Adicionalmente, os satélites ANGOSAT- 2 e 3 deverão, por si só, gerar receitas suficientes para o financiamento e construção de futuros satelites, pelo que, no futuro poderão ser lançados quantos forem necessários, tendo sempre em atenção a mobilização de recursos financeiros. O que OPAÍS não pôde apurar foi o impacto directo da “compensação” no bolso do consumidor final de sinais de Internet e televisão.

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