Arco Lisboa destaca artistas africanos

Artistas de Angola, Cabo verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe estão em destaque em duas exposições no espaço NOTA MUSEUM, em Lisboa, no âmbito da Feira de Arte ARCO

“África Diversidade Comum”, com curadoria de Manuel Dias dos Santos, junta obras de quase 30 artistas de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; “Fronteiras Invisíveis” é uma exposição individual do artista luso-angolano Francisco Vidal.

A exposição colectiva pretende, “acima de tudo, conjugar trabalhos de artistas de gerações diferentes”, explicou o curador da mostra, Manuel Dias dos Santos, em declarações à agência Lusa, referindo que “África Diversidade Comum” integra artistas nascidos nas décadas de 1940, 50, 60, 70 e 80.

Entre os artistas há cinco a quem Manuel Dias dos Santos chama “mestres” — Malangatana, Viteix, Eleutério Sanches, Kiki Lima e Paulo Kapela –, cujo trabalho “tem influenciado a grande maioria dos autores que vão estar presentes na exposição”.

Os artistas angolanos estão, “naturalmente, em maior número, porque são os que têm um número mais expressivo em termos de presença nas colecções e nas galerias portuguesas”. Além disso, “também são aqueles que, em termos globais, têm estado a expandir o seu trabalho pelos espaços de arte mais mediáticos, de Abu Dhabi, a Nova Iorque, a Veneza”, afirmou o curador.

Os trabalhos expostos, de acordo com Manuel Dias dos Santos, “reforçam uma ideia da produção de um pensamento contemporâneo africano naquilo que eles produzem”, e que “exige uma leitura atenta, que não é uma leitura meramente estética ou meramente da utilização dos materiais”.

A visita à exposição vai “exigir um olhar que permita perceber como eles [os artistas] todos os dias trabalham sobre modernidade, sobre as várias variações que a ideia de tradição sofre por não ser imutável, a forma como se apropriam de conceitos, de visões, de uma chamada arte contemporânea ocidental, mas que, no fundo, é mais uma arte contemporânea humana”.

“África Diversidade Comum” inclui pintura, escultura, fotografia e instalação, de artistas como Abdel Queta Tavares, Cristiano Mangovo, Gonçalo Mabunda, Januário Jano, Kiluanji Kia henda, Maura Faria, Mumpasi Meso, Nelo Teixeira, Nú Barreto, René Tavares, Rómulo de Santa Rita e Yonamine.

A mostra colectiva divide-se entre o segundo e o terceiro pisos do espaço NOT A MUSEUM, cujo primeiro piso será ocupado pela exposição individual de Francisco Vidal.

“Fronteiras Invisíveis”, de acordo com o texto de apresentação, assinado pela curadora NAM, “pretende invocar a Utopia, como um médium e uma técnica, que permite partilhar pensamento e estimular o diálogo, através de composições visuais que convidam a deambular por flores de algodão pintadas a óleo sobre catanas, ou desvendar rostos familiares por entre retratos de ilustres (des)conhecidos que, através de quem são e do que fazem, contribuem para a concretização de uma ‘Revolução Industrial Africana’, numa ‘LUUanda’ inspirada na obra seminal de José Luandino Vieira que, em si, semeia a raiz e os valores de uma ‘Utopia Luanda Machine’, em coreografi a com ‘Kiekelela’ (entrega em Kimbundu)”.

Francisco Vidal, através do desenho, escultura e instalação, “debruça-se sobre temas que debatem a diáspora africana e a sua herança, no presente e no futuro, desenvolvendo exercícios e estudos, de ética e estética, que servem de bússola para uma leitura deste espaço de partilha de pensamento contemporâneo africano, que acontece muito além das suas latitudes geográficas”.

As duas exposições foram inauguradas na passada Quinta-feira à noite, e estarão patentes até 25 de Maio. A ARCO LISBOA – Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa abriu ao público, com 71 galerias portuguesas e estrangeiras.

Fonte: Observador

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