Carta do leitor: Desabafo de Arlindo Barbeitos

POR: Arlindo Barbeitos PHD
Luanda

Eu, Arlindo Barbeitos, católico baptizado por Cónego Manuel das neves em 1945, veterano da Pátria porque lutei pela independência deste país, fui ferido em combate e contraí uma tuberculose na luta.

Durante a minha infância, muitas vezes segui com, bastante atenção, as homilias de Dom Moisés Alves de Pinho, autoridade máxima da igreja Católica nos tempos terríveis de Salazar.

Ora nunca, nesse tempo horrível da ditadura colonialista, ocorreu o que se passou com o meu filho católico praticante, neste Domingo 19 de Maio do corrente ano, junto aos semáforos da igreja da Sagrada Família desta cidade. ele foi chamado pela Polícia nacional a uma das suas roulottes para ser avisado de que era proibido dar esmolas, naquele lugar, aos deficientes.

A acção da Polícia foi requerida pelas autoridades eclesiásticas da igreja da Sagrada Família que não querem a presença de deficientes e pedintes, no local para evitar possíveis confusões e desmandos.

O meu filho foi avisado que não podia voltar a dar esmola e socorrer os pobres inválidos.

Nesta atitude autoritária e contrária aos evangelhos, de admoestar cristãos que se condoem com a sorte dos aflitos, ficou clara a falta de caridade e de misericórdia desta igreja da Sagrada Família.

De facto, é muito triste assistir à acção da Polícia, solicitada pela já referida igreja para tais fins de exclusão social e de falta de piedade.

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