Este país é para muito duros

Na Lunda-Sul, desde o ano 2010 suicidaram-se trezentas pessoas, isto dá uma média de trinta e cinco pessoas por ano e de pouco mais de duas pessoas por mês. E ainda nem sequer a meio deste ano vamos.

A maioria das pessoas que optaram por tirar a sua própria vida são homens e as idades, segundo o chefe das operações do Comando Provincial da Polícia Nacional, Filipe Cachota, vão dos nove aos noventa e dois anos .

A média mensal de óbitos por complicações de hipertensão arterial, no Hospital Central do Lubango António Agostinho Neto, varia entre 20 e 25 casos. “Média mensal”, assinale-se bem. Num único hospital.

Em 2018 esta doença levou 152 pessoas à morte na província da Huíla. Com o ritmo actual, e apenas no hospital do Lubango, pode-se bem chegar ao fi m do ano com trezentas pessoas vitimadas pela hipertensão. É hora de parar e começar a pensar sobre o que se passa e sobre o valor da vida dos angolanos nas políticas públicas.

Mais do que a politização de tudo, mais do que a invenção de inimigos que não existem, há que avaliar os efeitos das políticas na vida dos cidadãos. Cada vez mais me cruzo com jovens bem formados com vontade de se irem embora do país. Não está em causa o emprego, nem o que ganham, mas lidar todos os dias com o combustível do gerador, com a água para o tanque, com as clínicas que têm preços assustadores e depois, afinal, deverias ter sido enviado para o exterior, os buracos nas estradas que acabam com o carro, a falta de segurança, o colégio que sobe o preço quando entende e muitas outras rotinas inexplicáveis, ou te matas, ou a tensão sobe e morres, ou te vais embora.

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