Menina torturada por suposta Polícia ainda sob cuidados médicos

A história da pequena isandra Augusto, de nove anos, que foi barbaramente torturada, queimada e amordaçada por uma cidadã de nacionalidade angolana e supostamente agente da Polícia nacional, que lhe arrancou os dentes, continua a chocar os cidadãos angolanos. A menina ainda está internada, sob os cuidados intensivos do Hospital Geral de Luanda, e sem previsão de alta

A revelação foi feita recentemente por um dos familiares da vítima que se mostrou indignado com a atitude da senhora que maltratou, de um jeito inexplicável, uma criança inocente, de nove aninhos.

Em entrevista a OPAÍS, Eugénio, irmão da vítima, conta que a pequena foi torturada e espancada várias vezes e, por isso, até ao momento apresenta um quadro crítico e continua internada, sem previsão de alta.

Segundo o jovem, só tiveram conhecimento das agressões contra a menina na passada Sexta-feira, mas antes a mãe tinha informado que ela havia sido entregue, desde o mês de Fevereiro, a uma senhora que se predispôs a albergá-la enquanto a sua mãe prestava serviços domésticos.

Desde então, altura em que a menina foi entregue à referida senhora, de que se suspeita que seja agente da Polícia Nacional, a progenitora nunca teve a oportunidade de ver a filha. Sempre que fosse a sua casa, a senhora que tinha a menina sob a guarda não a deixava vê-la, alegando que a menina iria chorar e pedir para ir com a mãe, se a visse.

A sua mãe só aceitou que Isandra ficasse com a senhora acusada de agressão porque esta lhe prometeu que colocaria a menina na escola, a fim de continuar os seus estudos, em troca, ela cuidaria dos seus filhos e das tarefas de casa, no bairro Kizango, no Zango 3, em Luanda.

Ficamos chocados com o estado dela

Ficamos chocados com o estado dela tínhamos conhecimento que a minha mãe havia confiado a Isandra a alguém para ser cuidada. Só na Sexta-feira é que a mãe, com alguma insistência, conseguiu ver a menina, e ficou chocada com o estado dela. Assustada com o estado da menina levou-a de imediato ao pai e foi aí que também, como irmãos, nos apercebemos de tudo. Chocou-nos e não queríamos acreditar, porque ela estava irreconhecível”, disse, o irmão.

Diante da situação dirigiram-se a casa da senhora, no sentido de saberem se ela estava consciente do que havia feito à menina e foram atendidos normalmente.

A senhora pediu-lhes que conversassem com calma, mas diante da situação algumas pessoas aperceberam-se e começaram a bater no portão, e a senhora pegou no telefone e ligou para Polícia pedindo uma patrulha porque “estava a ser agredida”. A esposa de Eugénio puxou-lhe o telefone e disse que só voltava a entregar se a acusada subisse no carro da Polícia e fossem juntos à esquadra esclarecer o assunto.

A senhora foi levada à esquadra  47ª onde ficou detida.

A acusada de ter agredido a menina de nove anos está grávida, pelo que os familiares da vítima não usaram a força para não comprometerem a sua saúde, nem a do bebé. Entretanto, ela prestou depoimento na esquadra do Zango I, na 47ª, onde esteve detida.

Segundo Eugénio, a senhora maltratou, ou seja, bateu, vezes sem conta na menina, queimoua, aquecia as pedras no fogareiro e depois mandava-a pisar ou segurar as pedras quentes.

“Para verem até onde chegou a sua crueldade, para os vizinhos não ouvirem o barulho dos gritos punha-lhe pano na boca. Para além disso, a menina tem falta de alguns dentes na boca porque foram arrancados. Tem algumas feridas cicatrizadas, o que quer dizer que é algo que vem sendo feito há muito tempo. Segundo o que a menina disse, já tinha sido levada a um posto médico pela tal senhora, para curativos, mas quando lhe perguntaram sobre o que tinha acontecido com a menina disse que ela tinha sido atropelada”, explicou.

Segundo o irmão da vítima, se Isandra tivesse ficado mais dois dias sem assistência médica, estaria morta.

Atendida com urgência no Hospital Geral de Luanda

No Hospital Geral de Luanda, onde foram atendidos com a máxima urgência, Isandra foi internada de imediato porque apresentava um quadro grave.

“Até hoje, a minha irmã está internada nos cuidados intensivos, sem previsão de alta. O que mais nos deixe triste é que nem a senhora que a agrediu se manifesta. Esteve o irmão há três dias, dizendo que vão continuar a ser solidários, mas já passaram mais de uma semana e a causadora não se manifesta e nunca apareceu”, contou.

No Domingo passado, quando regressou à unidade, foi informado que a senhora já estava solta, porque encontrava-se em estado de gestação e não podia continuar detida, mas que o caso foi encaminhado para o Ministério Público. O procurador em serviço esclareceu que o documento que havia assinado para a retirada da queixa não tinha validade e que o processo vai continuar, só não tinham ainda o número do processo, mas darão seguimento ao caso.

Isandra Augusto, de nove anos, está nos cuidados intensivos do Hospital Geral de Luanda, na sala de internamento, e os familiares pedem apenas que se faça justiça para que casos do gênero não voltem a acontecer.

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