Água não se vende

Por mim, se mandasse neste país, a água das torneiras seria gratuita. Claro que a isso se teria de juntar um plano eficaz de educação para a poupança e reciclagem do líquido. Bem, se não é para ser gratuita, ao menos que tivesse um preço simbólico. E pode ser, até porque se poderia ir buscar dinheiro noutros serviços, subindo um pouco mais a taxa de circulação (com boas estradas, claro); os impostos das bebidas alcoólicas, do tabaco, das discotecas, dos restaurantes dos ricos, etc.. Mas água é vida. Não se deve cortar a água por falta de pagamento a uma casa que tenha bebés, por exemplo. Estou mesmo a sonhar, pois por aqui a água nem às torneiras chega, quanto mais… Isto de não se conseguir dar água às pessoas em Angola deve já estar a ser caso de aturado estudo para os extra-terrestres que nos observam. Não sei como nos classificam, mas devemos estar colocados numa categoria à parte, sendo objecto de verdadeiras enciclopédias sobre a burrice, a incompetência e o crime. E, se calhar, sobre o feitiço que usa gravata também. Entretanto, um outro senhor se segue na EPAL, Fernando João da Cunha (e talvez o ministro não resista): vamos ver a água não turva ou só menos turva?. Se falhar, o Governo terá falhado. Água é o mínimo de adquirido que podemos ter para sentirmos que vivemos num Estado moderno e com Governo. A responsabilidade é grande, tem em mãos milhões de vidas. Sobre o senhor anterior, bem, este já se tinha demitido com o que foi dizendo. E fazendo. Pagámos caro aquilo que Deus nos deu em abundância… que não tenha sido em troca de menos cérebro.