Dirigente da UNITA apela Executivo a dialogar com os cidadãos para se evitar conflitos

O Governo Sombra da UNITA apela ao Executivo para privilegiar o diálogo com os cidadãos, com o fim de encontrar mecanismos de resolver as suas premente preocupações, evitando choques com as forças de defesa e segurança como os ocorridos recentemente na Lunda- Norte

O apelo foi lançado ontem, em Luanda, pelo seu vice- presidente e primeiro-ministro deste governo, Raul Danda, quando fazia o balanço dos últimos acontecimentos registados no país. Falando em conferência de imprensa, o responsável começou por denunciar que a falta de diálogo resultou na morte de 10 cidadãos e 17 feridos, no mês passado, no sector da Calonda, uma área diamantífera situada a 15 quilómetros da sede municipal do Lucapa, na província da Lunda-Norte. Explicou que contrariamente à sua vocação e obrigação constitucionais de proteger o bem “vida”, as forças de defesa e segurança “foram protagonistas da morte de cidadãos civis e indefesos”.

Segundo Danda, esta é a constatação encontrada no terreno por três membros do seu “governo”, que realizaram de 9 a 13 de Maio uma visita à Calonda a fim de responder ao grito de socorro da população local, que se queixava de supostos abusos protagonizados por estes órgãos. A delegação, composta pelos deputados à Assembleia Nacional, Joaquim Nafoya, Domingos de Oliveira, e o jurista Pedro(Africano) Kangombe, disse ter mantido contacto com o governador em exercício da Lunda-Norte, Lino Muaquesse, para saber mais sobre as denúncias, mas este remete-os aos comandante da Polícia Nacional. No encontro que a delegação manteve com o subcomissário Francisco Costa, 2º comandante da Polícia Nacional nesta província, este terá apontado vários motivos que têm originado conflitos não só na Calonda, mas também noutras áreas, decorrentes da Operação Transparência.

Morte de cidadãos

Sobre as mortes de cidadãos, reportando declarações dos deputados, Raul Danda informou que o subcomissário Francisco Costa terá atribuído culpa ao envolvimento, na Operação Transparência, das diferentes forças de defesa e segurança, incluindo as forças especiais, “pela falta de sensibilidade de muitas delas ao lidar com casos de motins, tumultos e levantamentos populares”. No contacto com o responsável policial em exercício na Lunda-Norte, segundo a fonte, os deputados foram informados de existirem alguns factores que contribuem para a ineficácia da Operação Transparência.

De entre os vários, apontou a volatilidade da fronteira entre os povos que habitam um e outro lado, tendo em conta as similitudes culturais existentes, para a ineficácia da Operação Transparência Disse haver também dificuldades e controlo dos cidadãos estrangeiros, que regressam logo a seguir aos actos de repatriamento, associadas à falta de capacidade por parte das autoridades da República Democrática do Congo(RDC) de travarem o fluxo migratório dos seus cidadãos O prosseguimento da compra ilegal de diamantes por parte de cidadãos oeste-africanos, e a falta de documentos de identificação por parte dos cidadãos congoleses democráticos criam uma situação de descontrolo, segundo o comandante da Polícia Nacional. Outro factor apontado por Francisco Costa prende-se com a ocupação, pelas diferentes forças de defesa e segurança, de jazigos antes explorados pelos patrões do garimpo, como estando na origem de conflitos que geralmente terminam em mortes.

Greves da EPAL e dos CFL

Relativamente às duas greves, desencadeadas pela Empresa Provincial de Luanda (EPAL) e pelos Caminhos de Ferro de Luanda (CFL), Raul Danda disse que os trabalhadores de ambas as empresas têm DR Dirigente da UNITA apela Executivo a dialogar com os cidadãos para se evitar conflitos estado a viver momentos difíceis, “estando, inclusive, o seu direito à reivindicação e à greve a ser posto em causa”.

Repatriamento de capitais

Na conversa com os jornalistas, o político disse que o governo sombra da UNITA continua preocupado com a opacidade do processo ligado ao repatriamento voluntário dos activos financeiros subtraídos do país, no que tange aos resultados já alcançados. Danda disse que a Procuradoria Geral da República(PGR) tem estado a anunciar montantes recuperados, como é o caso dos cerca de 4,5 biliões de dólares, e os 300 milhões de dólares recuperados do CIF (China Fund Internacional) mas o BNA desconhece esse dinheiro. “O Titular do Poder Executivo, dono do dinheiro, não diz nada. Afinal, o que é que se passa na realidade? Ouve ou não dinheiro recuperado?”, questionou, para quem os angolanos querem saber em que está a ser aplicado esse dinheiro.