“Gauleses” do Sul

Benguela parece ingovernável por gente de fora. Mas os de lá que tentaram, também tiveram as suas próprias amolgadelas. Não é fácil. Rui Falcão, o actual governador, começa a gora a sentir que em Benguela a temperatura pode sempre subir mais e mais, até se tornar insuportável aguentar o grito “não te suportamos”! Felizmente pode-se dizer a Rui Falcão que não é nada pessoal, aquela gente é que é uma espécie de aldeia gaulesa de Asterix à procura do seu druida “Benguelenix” que indique um chefe Matasétix que a comande. Aí choveu a poção de Panoramix. Depois das muitas queixas contra a governação de Rui Falcão, algumas sendo mera conspiração, a rebelião instalou-se agora no seio do MPLA que ele comanda na província. E, aqui, a coisa é mais séria, estando o país a um ano das eleições autárquicas, as primeiras de sempre. Se Rui Falcão se instalou em Benguela lançando farpas à governação de Isaac dos Anjos e às anteriores, se adoptou um discurso fi rme contra a corrupção e o desperdício, se isso tinha algum valor, há hoje quem nem o queira ouvir. Talvez por o governador se ter calado em assuntos caros às elites locais como a construção de um gimnásio no areal da Praia Morena, a privatização do espaço de um museu e, agora, a instalação de uma fábrica de fertilizantes químicos em zona residencial. Pouco importa se agiu, mas não falou ao coração das gentes, não alinhou nos “socos aos romanos” com providências cautelares no tribunal. Logo, “não és de cá, não te queremos”. E aquela “Benguela gaulesa” tem dono, Falcão esqueceu- se disso. Quer indicar gente para o Comité Provincial do partido ou para o Comité Central? há que concertar desde muito cedo com os donos. Não o fez, há gente a bater com a porta, de forma estrondosa. E João Lourenço, que é de lá, que tente com muito cuidado as emendas. É que para os benguelenses, o que não lhes agrada é coisa de gente “neurótica” como os romanos de Asterix, e resolve-se no “soco”, por Toutatis.