Grevistas do CFL proibidos de aceder às instalações da empresa

A comissão sindical recorreu ao Conselho Nacional da Juventude (CNJ) para mediar o conflito com a entidade empregadora. Por outro lado, afirma não estar surpresa com a possibilidade de ficarem sem os salários do mês de Maio

O secretário para a informação da Comissão Sindical dos Trabalhadores dos Caminhos -de-Ferro de Luanda, Lourenço Contreiras, revelou ontem, em Luanda, que os trabalhadores que aderiram à greve estão proibidos de entrar nas instalações da referida empresa. Em depoimento a OPAÍS, o responsável esclareceu que a medida foi tomada pelo Conselho de Administração, depois dos conflitos ocorridos na semana passada, que resultaram na detenção de pelo menos cinco manifestantes, seguidamente condenados por desacato à autoridade a uma pena de seis meses de prisão convertida em multa.

De realçar que, na ocasião, os grevistas tentavam impedir a circulação da locomotiva que fazia o trajecto Bungo-Viana- Bungo, ao ponto de alguns deles chegarem a deitar-se sobre os carris. Acusavam a direcção da empresa de estar a violar os princípios estabelecidos na lei sindical, ao colocar em circulação seis comboios, em vez de apenas dois. Relativamente ao anúncio da possibilidade de os funcionários em greve ficarem sem as remunerações referentes ao mês de Maio, Lourenço Contreiras disse não estar surpreso com a “decisão sancionatória”, uma vez que no período de greve o vínculo laboral entre o trabalhador e a entidade patronal é suspenso. Entretanto, realça que a punição em nada os inibe de continuar na defesa dos seus direitos. “Também queremos o fim deste jogo. Já estamos paralisados há mais de um mês e queremos que os resultados favoreçam ambas as partes”, defendeu.

Conselho Nacional da Juventude chamado a intervir

Lourenço Contreiras disse ainda terem contactado o CNJ, bem como entidades políticas, como os deputados da CASA-CE, para que possam servir de mediadores no processo de negociação com a entidade patronal. “Vamos aguardar. Não descartamos a possibilidade de suspender a greve”, concluiu. O braço-de-ferro entre os sindicalistas e a entidade patronal teve início a 14 de Janeiro de 2018. Na ocasião, os funcionários do CFL entraram em greve por tempo indeterminado para reivindicar, entre outros aspectos, um aumento salarial e melhores condições laborais. A direcção do CFL alega que foram atendidas 95 por cento das reivindicações dos funcionários e diz haver falta de bom senso por parte destes.

error: Content is protected !!