Livro “Métodos de Reeducação Prisional” já em Malanje

Depois do lançamento, em Luanda, a 17 de Abril do ano em curso, o público de Malanje já tem o livro intitulado “Métodos de Reeducação Prisional”, uma abordagem sociológica, de carácter científico-académica. A sua apresentação teve lugar na Biblioteca Provincial “Rainha njinga Mbande” e no Instituto Superior Politécnico Cardeal Alexandre do nascimento (ISPCAn), presenciada por efectivos do Ministério do Interior, docentes e estudantes

POR: Miguel José, em Malanje

A obra da socióloga Tânia de Carvalho relata as técnicas de reabilitação da população penal e faz uma análise sistemática do investimento que o governo angolano fez, nos últimos 10 anos, em prol da recuperação dos reclusos, bem como aborda a dimensão macrosociológica da problemática da exclusão social. A autora argumenta que se se quiser analisar a taxa elevada dos índices de criminalidade na sociedade, a reabilitação penitenciária é um processo que envolve todo o trabalho do Ministério do Interior (MININT), porquanto o que está a ser feito de forma factual, no que se refere à análise de percentagens de reincidências, impõe repensar nos técnicos e métodos que estão a implementar no interior penal.

De igual modo, falar da juventude e das oportunidades que lhes são dadas, obriga a repensar as prioridades que se dão ao nível dos serviços penitenciários. “Estamos aqui a tentar descomplexar um trabalho que tem de ser feito, não só pelos operadores de reabilitação, mas também pelas famílias e, grosso modo, pela conjuntura social toda”, ressaltou. O conteúdo literário que contém115 páginas, consiste numa análise comparativa dos investimentos que o Estado angolano fez nos últimos dez anos ao nível do sector penitenciário. No entanto, contém um capítulo com um grau comparativo, em termos estatísticos, desde a formação profissional dos agentes de reeducação, passando pelo aproveitamento profissional reflectido no organograma do próprio MININT.

Traduz em mapas o grau de aproveitamento, a formação dos próprios agentes de reeducação, quer seja na área de habitação, educação, alimentação e outros aspectos ligados ao interior penal. De forma resumida, o manual literário faz uma reflexão sociológica relacionada com o nível de formação dos efectivos do MININT, sobre a distribuição pelos diferentes órgãos a si tutelados, sem esquecer a inserção social dos presos e condenados na Unidade Prisional de Viana (Luanda). Para tal, acrescentou, será importante que os efectivos destes serviços entendam o real valor das actividades que exercem e assumam um papel de verdadeiros agentes da reabilitação humana. A autora é de opinião que o governo ainda gasta avultadas somas com os reclusos e sugere, por isso, que se promova a auto-suficiência dos estabelecimentos penitenciários e que se enquadrem os reclusos em actividades geradoras de receitas para o Estado. As cadeias devem criar mecanismos para ultrapassar estes fenómenos, além da polícia que tem a missão de manter a ordem pública.

error: Content is protected !!