Boas intenções não bastam

Angola tem de fazer mais e falar menos. Esta lenga-lenga já a ouvimos bastantes vezes e já a decoramos. Mas daí a fazermos vai uma distância grande. O que pedem os potenciais investidores estrangeiros para se aventurarem nos negócios do turismo e da hotelaria em Angola é garantias. Isto é muito importante. Negócios nesta área são sempre de longo prazo, um hotel é coisa para durar, não é uma tenda de plástico. Pode dar lucro, mas também dás despesas. É uma escola, uma unidade que requer gestão profissional. Não é um negocio de ocasião, como nasceram muitos dos nossos. As garantias requeridas não são apenas de segurança. Há muito mais: apoio estrutural da sociedade em funcionamento, de uma economia activa, de um mercado que consuma, de ambiente turístico saudável e sempre em evolução e, no nosso caso, infelizmente, também as garantias de repatriamento de capitais, ou mesmo de partilha. Tudo isto está longe de ser dado como adquirido em Angola, onde não se produz nem as roupas para as camas ou toalhas para as mesas, para não falar dos talheres… bem, basta ter-se a ideia do que é um verdadeiro hotel e sobre o que é turismo e os serviços de apoio de que necessita para vermos a quantos anos luz o nosso país está. Mas há que não desistir. O Governo fez bem em apostar na realização do Fórum Mundial do Turismo em Luanda, também para se situar e aceitar o desafio, embora eu ache que a realização devesse ser empresarial. Há muito por fazer, fazer mesmo, não falar apenas, porque as boas intenções não bastam. Só mais uma coisa: o turismo tem de ser democrático, genuinamente. No consumo e no serviço. A livre iniciativa é essencial, o resto é ditado pelo consumidor. Este é outro aspecto que Angola tem de resolver.

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