Nós, o tempo e os outros

Ontem mesmo eu devo ter esgotado boa parte das minhas reservas de paciência. Mas não cedi, mantive-me sereno, sorridente e curioso para ver no que aquilo iria dar. Estava eu numa dependência bancária. Esperei uma hora e dezassete minutos para ser atendido. Quando entrei, eu era o sétimo, encontrei seis pessoas, incluindo as duas que estavam a ser atendidas ao balcão. Não me pareceu que tivesse fugido o “senhor sistema”, nem que estivessem em greve. Talvez aí se ganhe pela produtividade ao contrário. Aliás, angolano e relógio raramente casam, aqui o tempo nunca conta.

Nisto de se importar, ou não, com os outros, com o seu tempo e o seu bem estar, lembro-me de um texto que me fez chegar um conhecido médico angolano há alguns dias. Ele queixava-se da barulheira que fazem as ambulâncias e os bombeiros mesmo quando circulam de madrugada, sem trânsito, mas com a alegria (só lhes pode dar satisfação) de acordar a cidade que dorme. Os incomodados que se mudem.

Na Terça-feira, na área do Benfica, parei o carro para ir ao Multicaixa, apareceu o segurança, e depois a gerente, creio, para me perguntarem se não tinha visto os cones, porque inventaram que é proibido parar o carro à frente de uma agência bancária, por razões de segurança. Perdemos uns dez minutos comigo a pedir que me exibissem a lei que o estipula. E, depois, o ATM, nem dinheiro, nem papel, vejam só.

É assim mesmo, as coisa vão ao sabor da vontade do bancário, do motorista de ambulância ou de carro de bombeiros e dos polícias de plástico, que afinal garantem maior segurança aos bancos que homens, sistemas electrónicos de vigilância e que uma governação que diminua a criminalidade. Trinità e Bambino estariam no paraíso, aqui.