Carta do leitor: Remendos

Por: Mário Mussugueno
Lunda-Norte, Angola

Nos últimos dias tenho estado a viajar pelo país. Não deixarei de percorrer a terra que me viu nascer mesmo que as condições sejam as mais adversas. Tenho pena. Muita pena que não tenhamos conseguido nos momentos mais felizes fazer do propalado canteiro de obras uma oportunidade para que pudéssemos, sem questionamentos, calcorrear os quatro cantos deste país sem problemas.

Infelizmente, o desejo e o sonho de muitos ainda levará muito tempo para se tornar realidade. Quem viaja para o centro e Sul do país, a partir da 210, sabe o que é ter a vida à mão e conhecer a frustração por não termos conseguido fazer de Angola um país melhor para todos nós. O mesmo acontece com depositar as suas esperanças na 230, uma das vias mais movimentadas deste país que nos viu nascer.

Acredito que o Presidente João Lourenço leia regularmente os jornais. Tenho fé de que seja uma pessoa atenta e que não se deixa levar, unicamente, pelas informações transmitidas pelos seus assessores directos ou pelos responsáveis ministeriais. O país não se vai desenvolver se não tivermos estradas. A quantidade de produtos transportados por via marítima ou aérea não se compara com aquilo que nos chega por estrada.

O Presidente visitou, recentemente, as províncias do Cunene, Namibe e Malanje, certamente não se terá apercebido do caos que representam alguns dos troços que são percorridos diariamente pelos cidadãos. Quando tive conhecimento de que iria a Malanje, ainda tive esperança de que aproveitasse esta oportunidade para usar as mesmas estradas que todos os dias milhares de cidadãos viajam para garantir comida, educação e outros bens aos angolanos. Inove Presidente!

Acredito que se um dia tiver esta ousadia muita coisa vai melhorar.

Não se pode compreender que o ministro da Construção, uma excelente figura, inaugure a via Maria Teresa Dondo e deixe o resto do troço num caos. Os carros não voam até encontrarem as melhores estradas.

Até se chegar aos novos troços, reabilitados, os automobilistas vivem um autêntico calvário. Já é tempo de se acabar com as medidas paliativas.

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