Projecto da Educação augura ver crianças a ler na 2ª classe

O desejo dos responsáveis do ensino em Angola surge numa altura em que pais e encarregados de educação reclamam sobre o facto de as suas crianças não adquirirem essa capacidade nos primeiros anos do nível primário

O responsável do Projecto Aprendizagem para Todos (PAT), Isaac Paxe, manifestou, recentemente, a OPAÍS, a intenção de ver as crianças do ensino primário a aprenderem a ler na 1ª e 2ª classes, tendo garantido, em seguida, que o projecto que lidera está a dotar os professores deste nível de subsídios técnicos e científicos para se alcançar tal desiderato.

Segundo Isaac Paxe, o processo que ele assegurou estar a ocorrer de forma paulatina nas 842 escolas do país seleccionadas pelo programa de aprendizagem, com as respectivas 167 Zonas de Influências Pedagógicas (ZIP), tem como objectivo formar 17 mil docentes, uma cifra que o titular do PAT garantiu já terem alcançado, antes do tempo programado. “Ora vejamos, a nossa meta era formar 15 mil professores do ensino primário até finais de 2019, para aumentar a qualidade de ensino e melhorar a cultura do educador, neste nível, mas, até ao primeiro trimestre do ano lectivo em curso, já conseguimos capacitar 17 mil, por sinal o número preconizado pelo PAT, que começou a dar os primeiros passos no capítulo formativo nos finais de 2016”, gabou-se o responsável, tendo adiantado que os referidos resultados os animam a continuar a trabalhar de forma redobrada.

É por isso que o entrevistado e a sua equipa acreditam que os professores podem dotar os alunos de capacidades para lerem antes que terminem a 2ª Classe.

“Com as ferramentas metodológicas que recebem do PAT, é provável termos crianças do ensino primário a lerem a partir da das duas primeiras classes genéricas, já que a iniciação ainda não constitui uma realidade em todas as escolas de Angola”, referiu Isaac Paxe, cujo entender atribui responsabilidade desafiante ao instrutor.

Para dar sustentabilidade às suas alegações, recorreu às reclamações dos docentes sobre os supostos embaraços que lhes causam a Reforma Educativa, sobretudo nos contextos da mono-docência e consequente transição automática, para afirmar, de forma categórica, que, curiosamente, era o mesmo subsistema de ensino que facilitava o professo primário de identificar e resolver os grandes problemas dos seus alunos.

O que para si não é compreensível é o facto de o professor ter a oportunidade de ficar teoricamente com a maior parte dos seus alunos, durante quatro ou seis anos, e não conseguir superar-lhes as deficiências de aprendizagem identificadas na classe de início, sobretudo nos capítulos de leitura e interpretação, redacção e cálculos. “Por isso, quando me perguntam por quê as crianças da 3ª e 4ª ou 5ª classe não sabem ler, eu pergunto-me: por quê os professores que ficaram com essas crianças não lhes deram a oportunidade de aprenderem a ler?”, ironizou Isaac Paxe, deixando claro que a responsabilidade foi, é e sempre será do instrutor.

A componente da transição automática contemplada pela Reforma Educativa, muitas vezes usada pelos professores como justificativo, não convence o responsável do PAT e a sua equipa, alegadamente pelo facto de caber ao docente decidir se o aluno transita ou não da 2ª para a classe subsequente.

“E supõe-se que, finda a primeira classe, também de transição automática, o professor teve a capacidade de registar as insuficiências de alguns alunos que, acredito não passarem os 25 por cento da turma, com base nas quais deve trabalhar, no ano a seguir, ficando para a sua conta a incapacidade de ultrapassar tais problemas”, observou Paxe, tendo acrescentado que, para tal, o agente de ensino deve contar com a direcção da sua escola, coordenação, encarregados de educação e outros colegas, para não falar da possibilidade de expor tais senões nas ZIP e outros tipos de planificação ou dosificação.

Beneficiar 500 mil alunos

O Projecto Aprendizagem para Todos (PAT), cujos objectivos passam por melhoria dos conhecimentos e competências dos professores, melhoria da gestão escolar e do sistema de avaliação dos alunos congrega, para cada uma dessas metas, os respectivos indicadores, designadamente a demonstração de melhoria nos conhecimentos e competências dos formados, medida pelos resultados de testes de avaliação e percentagem de conselhos de escola em funcionamento, nas escolas contempladas pelo PAT, bem como o número por amostragem concretizadas.

O PAT vai beneficiar 500 mil alunos do ensino primário, 842 escolas e 17 mil e 45 professores do primeiro nível.

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