Administrador do Rangel desmente ter desviado dinheiro e máquinas do distrito

O responsável refutou acusações de um grupo de trabalhadores afectos à antiga Unidade Técnica do distrito do Rangel que o acusam de ter desviado máquinas, viaturas e dinheiro para a reparação da Escola do I Ciclo do Soeiro

Reagindo às acusações, Francisco Domingos Naval desmentiu o desvio de tais meios, nomeadamente, quatro camiões basculantes três máquinas escavadoras, uma máquina caterpillar, e mais de 500 mil dólares para a reparação da Escola do I Ciclo do Soeiro, na Rua Comandante Cantiga. Em conversa com O PAÍS, informou que os referidos meios, que se encontravam sob gestão da Administração do Distrito do Rangel, foram removidos pela Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), que na altura tinha como presidente Higino Carneiro, ex-governador de Luanda.

Explicou que depois de ter tomado posse como administrador do distrito a 16 de Abril de 2016, fez um levantamento de todos os meios que estavam naquele local e encaminhou um relatório ao presidente da CACL. Este, por sua vez, tinha enviado ao distrito uma equipa multisectorial em que incluía membros do Ministério das Finanças que, no levantamento feito aos materiais, concluiu que alguns já não tinham mais utilidade e que deveriam ser retirados daquele espaço que pertence aos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL). Disse que as denúncias de tais trabalhadores, alguns já despedidos por serem excedentários, são gratuitas, por não corresponderem à verdade dos factos, mas apenas para denegrir a sua imagem.“Todas essas acusações não passam de calúnias e difamação”, reiterou, tendo desafiado os denunciantes a sustentarem as acusações que lhe fazem.

Desvio de dinheiro

Quanto ao suposto desvio do dinheiro destinado à reparação da escola do Soeiro, Francisco Naval disse também não ser verdade, esclarecendo que a gestão deste dinheiro é da responsabilidade da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), cabendo ao distrito apenas supervisionar as obras. A paralisação destas obras, bem como de outras, como é o caso da Escola do Pica-Pau, decorre da crise económica e financeira que o país vive desde meados de 2014, segundo o administrador. “Quem paga ou contrata as empresas nunca é o administrador”, defendeu-se, assegurando que, quando a situação económica e financeira for ultrapassada as escolas e outros empreendimentos serão concluídos.

Despedimentos e salários em atrasos

As fontes deste jornal denunciaram também que a rescisão do contrato de mais de dez anos foi feita compulsivamente, sendo que durante este período de trabalho foram sendo descontados para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), mas os seus nomes não constam nesse organismo, segundo constataram. O referido contrato terminaria no dia 31 de Janeiro deste ano, mas, contra todas as expectativas, foi feito em Dezembro do ano passado. Disseram ainda que durante o tempo que durou este vínculo foram tratados como se fossem “trabalhadores eventuais”, não como efectivos, apesar de terem assinado contratos. Entretanto, Francisco Naval reconheceu haver uma dívida para com este grupo de trabalhadores, porém, segundo ele, compete à Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL) resolver o assunto. “Afirmo que existe essa dívida, mas é da responsabilidade da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda”, reiterou. À semelhança do pagamento dos salários, Francisco Naval disse ser também a Comissão Administrativa da Cidade de Luanda que deve resolver a questão da segurança social, sendo esta entidade que os tinha contratado. Entretanto, esforços envidados por este jornal para ouvir a versão oficial da CACL foram infrutíferos.

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