Carta do leitor: Procriação medicamente assistida (PMA) – pura perda de tempo

POR: José A. Gil Ferreira

Andei por Portugal para as comemorações da crise académica de 1969, em que fui interveniente activo, e para a participação no Congresso da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) na linda cidade do Porto, que decorreu no muito selecto salão nobre do palácio da bolsa. Foi uma enorme alegria encontrar velhos Amigos com quem participámos em tantas lutas e um enorme prazer o convívio com o velhos Amigos do atletismo da AAC. Pela primeira vez regressei a Angola contrariado, tendo retomado à clínica com a sensação do vazio de quem andou a perder tempo a aprender inutilidades. Consolou-me um pouco o agradecimento que recebi da Universidade Agostinho neto, assinado pelo ilustre Amigo Prof. Doutor Paulo de Campos. A profunda frustração de ter conhecimentos e meios que permitiriam a milhares de Angolanos terem acesso a cuidados diferenciados de PMA, poder exportar serviços clínicos, e passar o tempo a elaborar relatórios para evacuações não se vai apagar enquanto não for publicada a lei da PMA.O contacto com os colegas foi muito produtivo. O congresso esteve muito bem organizado, foi muito participado, mas o obscurantismo medieval da sociedade que tem o poder em Angola faz com que o que seria uma mais valia seja pura perda de tempo. Para maior desilusão o ilustre Prof. Dr. Grandão Ramos, numa extensa entrevista que dá ao JA de 20.05.19, em que faz uma análise, do ponto de vista técnico, muito negativa do novo Código Penal, não falou na desigualdade com que as mulheres são tratadas por via de um aspecto que ninguém vai cumprir da interrupção voluntaria da gravidez (IVG) que ninguém vai cumprir– pura hipocrisia de muitos deputados/as que já recorreram à IVG. Com outra sociedade civil já os resultados tinham sido outros. Mas os angolanos são mais pela farra e pelo deixa andar, que alguém vai resolver. Sobre assuntos tão importantes nem uma petição, nem um protesto! Como o meu prazo de validade já está expirado, vamos ver se existe reencarnação em atmosferas mais favoráveis. Luanda 23 de Maio de 2019.

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