Museu de Antropologia movimenta acervo com exposição da peça “Onga”

O Museu Nacional de Antropologia expôs nas suas instalações, na baixa da cidade de Luanda, a peça de caça denominada “Onga“, com base no projecto A Peça do Mês

A peça exposta, pertencente ao Subgrupo Kwanyama (grupo ambó) é um instrumento de caça, feito de ferro, com uma haste revestida com pele e cauda de animal. É uma arma de arremesso, usada na caça miúda, sendo apropriada para a caça de animais de grande porte, servindo também para a defesa pessoal.

De acordo com o director do museu, Álvaro Jorge, apesar do Subgrupo Kwanyama ser pastoril, também dedicam-se à caça que, segundo ele, geralmente é feita em grupo e pressupõe que o utilizador da peça seja alguém bem constituído fisicamente, para poder arremessar e dominar e capturar a presa. “Os troféus da caça são, geralmente, utilizados em práticas do foro místico e o bom caçador é muito considerado no seio da comunidade”, observou. Álvaro Jorge avançou que actualmente, pelo facto de as populações estarem cada vez mais familiarizadas com as armas de fogo, a peça é pouco utilizada.

Outras utilidades

Segundo consta, o uso deste objecto não se confina apenas à caça. Em quase todos os grupos etnolinguística, ela é também usada como insígnia ou adorno, para os chefes tradicionais dentro das comunidades. Em épocas mais remotas, os caçadores das comunidades eram, ao mesmo tempo, soldados dos sobas e dos seus graduados de guerra. Daí essa arma ser usada na caça como no combate. Com relação à caça, existem vários tipos, consoante as técnicas, o tipo de animais, condições geográficas e o número de participantes, tais como a caça conjunta ou colectiva e a caça individual ou miúda.

Peça do mês

O projecto tem como objectivo divulgar as peças existentes no museu, bem como propagar a sociedade, a sua importância como património cultural e nacional, função social, discrição, origem e cativar os cidadãos a visitarem o espaço. Desde o arranque do projecto em Agosto de 2016 foram expostas mais de 20 peças, tendo começado com a “Pedra de Hiroshima”, “Lilweka”, “Luena”, “O Pensador” (Kuku Kalamba), “Ndemba”, “Kiela”, “Kikondi”, “Mulondo” e “Cihongo” (Txihongo), “Kijinga”, Heholo”, “Mintadi, Mufuka”, “Mukwale e o “Mulondo branco”. Durante esse tempo, atraiu mais de três mil visitantes. Trata- se de estudantes do ensino primário e secundário, que têm o projecto como complemento no programa escolar e turistas nacionais e estrangeiros (maior parte franceses e cubanos).

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