Quando a luz se atrasa

Quando a luz se atrasa

Na Sexta-feira o governador de Benguela fez um grande anúncio, seria a melhor notícia do ano para os benguelenses: finalmente, depois de muito sofrimento, Benguela passa a receber electricidade do chamado sistema Norte, que integra as barragens de Capanda, Laúca e Cambambe. A chefe do Gabinete de Energia veio até dizer que o problema estava resolvido a praticamente a cem por cento. Rui Falcão, o governador provincial, falava na abertura de veredas para o desenvolvimento. Estávamos na véspera do dia marcado para a população sair à rua e manifestar-se contra a sua governação, o que me fez o anúncio parecer algo conveniente. Sobre distribuição de combustíveis, alguns colegas diziam-me não estar completamente resolvida, e havia quem achasse que o gasóleo alimentaria as centrais térmicas de energia para aplacar a contestação e dar fôlego ao Governo. Mas a manifestação saiu à rua, tal como tinha acontecido na Huíla, quando populares marcharam no Lubango a pedir o afastamento de João Marcelino Tyipinge. E o governador caiu mesmo. Mas se em Benguela marcharam no dia em que “a luz veio”, em Malanje, no mesmo dia, também populares marcharam contra a governação local, e nem o “apagão presidencial” da Terçafeira anterior e as supostas prisões que se lhe seguiram os demoveram. Malanje é a província das barragens, a nossa central eléctrica, mas mesmo aí há cortes de energia, ainda que com a presença do Presidente da República. Há melhor forma de desenhar o absurdo? O normal é que a proximidade de eleições aumente a pressão social sobre o Governo. Vêm aí as autárquicas, se o Presidente demite estes dois governadores, há províncias na fila para “ruar” também os seus, se os mantiver, a factura pode ser paga nas urnas… o tempo está a contar, falta um ano.