Sul-coreano “Parasite” conquista Palma de Ouro em Cannes

“Parasite”, do realizador sul-coreano Bong Joon-ho, conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, e os cineastas brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles partilham o Prémio do Júri com o francês Ladj Ly

POR: Jornal de Notícias

Na competição oficial, os filmes “Les Misèrables”, do realizador francês Ladj Ly, e “Bacurau”, dos realizadores brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, protagonizado por Sónia Braga, conquistaram exaequo o prémio do Júri de Cannes.

O Grande Prémio do Festival foi para a realizadora franco-senegalesa Mati Diop, pelo filme “Atlantique”. O prémio de melhor realização foi para os irmãos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne, pela longa- metragem “Le jeune Ahmed”. O actor espanhol Antonio Banderas recebeu o prémio de interpretação masculina pelo desempenho no filme de Pedro Almodovar “Dor e Glória”, e a britânica Emily Beecham, o prémio de melhor actriz, pelo papel em “Little Joe”, de Jessica Hausner. “Parasite”, um drama familiar, aborda o problema das desigualdades sociais. Do mesmo realizador sul-coreano teve estreia em Portugal, em 2014, o filme “O Expresso do Amanhã”.

O prémio de melhor argumento foi para “Portrait de la jeune fille en feu”, da francesa Céline Sciamma, conhecida por “Maria Rapaz” e pelo argumento de “A Minha Vida de Courgette”. Houve ainda uma menção especial do júri para “It must be heaven”, do palestiniano Elia Suleiman, o realizador de “O Tempo Que Resta” que, no filme levado a Cannes, viaja por diferentes cidades do mundo, estabelecendo paralelos com a Palestina natal. A Palma de Ouro para curtametragem distinguiu “La distance entre le ciel et nous”, do grego Vasilis Kekatos, e a menção especial para curta-metragem foi para “Monstruos Dios”, da argentina Agustina San Martin.

O documentário “For Sama” de Waad al-Kateab, que filmou a vida na cidade de Alepo, num dos períodos mais violentos do conflito na Síria, foi distinguido, partilhando o prémio desta categoria com o documentário do chileno Patricio Guzman “La cordillera de los sueños”, uma obra sobre a exploração mineira no Chile, com o foco nos anos da ditadura militar. Guzmán estreou em Portugal “O Botão de Nacar” e “Nostalgia da Luz”, em que focava igualmente os anos da ditadura chilena. O cineasta guatemalteco César Díaz ganhou o prémio para melhor primeira obra com o fi lme “Nuestras madres”, que fala das 200.000 vítimas e 45.000 desparecidos do confl ito interno no seu país, e dos familiares que sobreviveram. A 72ª edição do festival de Cannes terminou hoje, com a entrega dos prémios atribuídos pelo júri da competição oficial, presidido pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu.

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