O corpo…

A polémica mostrou-se há dois dias e instalou-se ontem: quase nada do que se tinha anunciado sobre as exéquias de Savimbi se cumpre. Havendo já quem diga que a própria data da inumação pode ser também alterada. Na última página da edição de ontem deste jornal, o governador provincial do Moxico, Gonçalves Muandumba, dizia, em entrevista, que a UNITA não deveria vir cá fora dizer coisas que não tinham sido acertadas em sede da comissão criada pelo Presidente da República para o efeito. A UNITA havia anunciado várias vezes o programa para as citadas exéquias, incluindo o “périplo” com a urna pelo Cuito, Huambo e Andulo, o que seria feito, supõe-se, por estrada. Esta caminhada mobilizaria, quanto menos, a curiosidade de milhares, que fariam uma moldura imensa em torno da passagem e do funeral do seu líder fundador. Como não somos ingênuos, sabemos todos que isto poderia resultar em capitalização política e na promoção da imagem de Savimbi e, naturalmente, do partido. Eu estava curioso apenas com a reacção no Cuito. A história é conhecida, não é preciso repetir aqui. Por outro lado, se bem explorado, o Governo capitalizaria igualmente o momento, com o Presidente João Lourenço a somar pontos e votos quer na sociedade civil, quer em algumas franjas descontentes de outros partidos que não o seu, a UNITA incluída. O “reconciliador”. No fim, a comunicação social que enviou equipas quer para o Luena, quer para o Cuito e para o Huambo, percebe que talvez ninguém vá capitalizar coisa alguma, além da certeza de virmos a ter uma polémica em torno do assunto. Os restos mortais de Savimbi foram levados directamente para o Andulo, onde serão enterrados, nada de “passeatas” e de multidões na estrada. Era a tarefa do Governo. Mas, revendo os acontecimentos, quem sempre falou sobre o programa e as suas fases foi a UNITA, o Governo nunca se pronunciara publicamente. O programa era da UNITA, e o Governo poderá sempre negar-se a explicar o que nunca anunciou.

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