Yuri Quixina: “O custo dos operadores do turismo em Angola é alto”

O Economia Real desta edição analisou o Fórum Mundial do Turismo, os desafios da diplomacia económica e a intenção da criação de um banco de desenvolvimento da CPLP. Acompanhe a visão do economista Yuri Quixina

POR: Mariano Quissola / Rádio Mais

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pretende criar um Banco de Desenvolvimento, desejo que pode ser oficializado em Julho próximo. É boa ideia?

A CPLP é uma criança e está a seguir a moda de criar bancos. O BRICS manifestou essa intenção e até hoje não se desenvolveu na prática. A CPLP é constituída por países com muitos problemas, que ainda não conseguiram criar condições para o bem-estar das suas populações. É muito provável que venha a ser criado. E se assim for, posso prever que os que saíram a ganhar nesse processo serão os países fora de África, nomeadamente Brasil e Portugal, cujos sectores empresariais privados são mais dinâmicos do que os africanos. Angola, como sempre, é capaz de aderir. Aliás, damo-nos ao luxo de nos gabarmos que somos os maiores contribuintes da União Africana, mas não influenciamos processos nem acrescentámos valor ao bem-estar das famílias e das empresas.

Essa intenção foi manifestada no primeiro Fórum dos economistas das cidades de língua portuguesa. Entretanto, está na forja a Ordem dos Economistas de Angola…

Não sou a favor da criação das ordens, fragmentar a sociedade com poderes paralelos. As ciências não nasceram com o controlo de grupos de lobismo. Platão, Sócrates, S. Tomás de Aquino e outros sábios, não criaram ordens para controlar pessoas, quem não tem cédula não exerce. Isso é atrasar o desenvolvimento. Estamos a seguir muito Portugal. Uma universidade forma e a ordem define quem exerce!?

As ordens, regra geral, são organizações de utilidade pública…

Quer dizer que o Estado tem que dar algum dinheiro às ordens. É isso que o país quer? É isso que vai permitir ter seringas nos hospitais? Não gosto do modelo português de organizar a sociedade. Fiquei chocado quando ouvi isso.

Vai ou não filiar-se?

As ordens geralmente têm camaquilo que eu mais amo. Economia, explorar o talento. Isso que é mais importante.

A África comemorou o seu dia com o desafio da ‘Agenda 2060’. Que condições objectivas para a sua concretização?

África está a caminhar muito lentamente e não entrou para a dinâmica da globalização. Continua sem foco para resolver os seus problemas sociais.

Luanda foi a capital do turismo mundial. No evento, o Presidente João Lourenço apontou os processos em curso para dinamizar o sector, entre os quais o PRODESI. Que avaliação faz?

Primeiro, acho que devia ter sido realizado na cidade de Mbanza Congo, por ser a única cidade que é património mundial em Angola. Segundo, devia ser de iniciativa privada. Era importante saber quanto gastámos com esse evento, para ter a noção do feedback.

Considera um gasto e não um investimento?

O Estado, enquanto jardineiro não deve investir nesses eventos, mas criar condições para os operadores funcionarem. Aquilo que Estado gasta deve ter efeito multiplicador para o sector produtivo, de forma brilhante.

O presidente do Fórum Mundial do Turismo também assumiu a responsabilidade de influenciar investimentos para Angola. Não é bom?

Isso é um depoimento, a questão coloca-se na prática. Foi bem recebido, o que esperavas que ele fosse dizer! É assim que as organizações internacionais se comportam.

E o processo em curso referido pelo Presidente?

Aqui o Presidente está a dizer que ainda temos muitas tarefas. As tarefas apresentadas pelo Presidente são enormes. O custo dos operadores do truísmo em Angola é alto.

E o Presidente apelou aos novos diplomatas a mobilizarem investidores para o país. Isso é diplomacia economia…

A diplomacia sempre foi vista como a rampa de aposentação dos quadros e parece que ainda não saímos dessa tendência. É uma actividade muito intensa e exigente. O diplomata deve ser um lobista, por excelência. O Japão resolveu isso mediante concurso público.

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