Direitos e gêneros

Li ontem, no diário de Noticias, uma entrevista da austríaca Edit Schlaff er, que fundou a ONG de apoio às mulheres Women Without Borders, e transportei partes do que ela disse ao momento político angolano, estes dias só, e dei-me conta da ausência de vozes femininas na disputa entre o Governo e a UNITA em torno das exéquias do líder fundador da UNITA. Um reparo apenas. Mas interessou-me a entrevista, sobretudo pela ideia de que no Ocidente também os direitos das mulheres estão em perigo. Ela liga o perigo à ascensão da extrema direita. E tem razão, se ouvirmos os discursos de novos senhores deste campo como Jair Bolsonaro, Victor Orban e até Donald Trump. Convenhamos que a emancipação feminina moderna, como a conhecemos, teve e tem tido um contributo enorme das sociedades ocidentais, daí que um retrocesso naquele hemisfério pode representar uma lufada de ar fresco aos segregadores das sociedades em que as mulheres não gozam de direitos políticos, económicos e sociais. Sim, há legislação em Angola, por exemplo, que se assemelha às legislações mais avançadas da Europa em termos de igualdade de género, mas a prática, como sabemos, não é exactamente como vem escrito a todo o momento. Preocupa-me mais o futuro, filhos de mães sem direitos aprenderão a respeitar as mulheres? Haverá mesmo retrocesso, ou estamos no limiar de uma nova vaga de luta (agora eventualmente pela defesa, em algumas sociedades) em nome dos direitos, da igualdade e da emancipação feminina? Mas sei que há também quem questione sobre quais outros direitos querem elas ainda lutar.

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