Professores de Cacula dão aulas em casa dos alunos

A falta de escolas na comuna de Chicuaqueia, município de Cacula, província da Huíla, tem levado a que muitos professores, também conhecidos como ‘facilitadores’ (voluntários) administrem aulas em casa dos alunos, para garantir a educação na primeira infância

O a administrador adjunto para a área Social do município de Cacula, Custódio Severino Satiaca, lamentou o facto de na sua jurisdição não existir instituição de ensino e com isso terem recorrido ao projecto “Todos Unidos pela Primeira Infância” (TUPI), uma experiência testada na República de Cuba. A falta de estruturas de ensino fez também com que adaptassem o jango num centro infantil para este tipo de actividades. Há duas modalidades de trabalho: para as crianças dos zero a um ano de idade, os facilitadores deslocam-se ao encontro dos menores, no seio familiar, onde treinam a mãe, pai e os irmãos mais crescidos, de modo a terem habilidade para lidar com o bebé; As crianças de um aos seis anos recebem a educação no jango e ao local chegam todas as famílias da comunidade.

“A atenção no centro (jango) é dada a diversas famílias, considerando que os encarregados é que garantem o sucesso do TUPI”. De acordo com Custódio Satiaca, até ao momento 40 famílias beneficiam do projecto TUPI, perfazendo um total de 75 crianças dos zero aos seis anos que são acompanhadas. Actualmente, o projecto está a ser replicado para uma outra comuna pertencente ao mesmo município. No sentido de atender as crianças dos zero aos seis anos de idade no que concerne a educação, a Administração local sentiu a necessidade de recrutar jovens da comunidade, a quem chamam de “facilitadores”. Os voluntários recebem formação num período de duas semanas, de modo a conhecerem os pressupostos da educação pré-escolar. Depois deste período, os jovens são acompanhados por um grupo gestor a nível da província, do município e da comuna com assessoria cubana, que segue as actividades que os “facilitadores” desempenham, implementando outras valências sempre que necessário.

Educador deve falar a língua local

É fundamental que o “facilitador” seja da comunidade, saiba ler e escrever, receba formação, tenha vontade de trabalhar e se expresse na língua local. Este último aspecto aparece porque há muitas famílias que não falam português. Custódio Satiaca explicou que o projecto ainda é piloto e, pelo facto, o estão a desenvolver apenas numa única comunidade, de Chicuaqueia, desde 2018, a mais desfavorecida. Contou que o programa assenta em três pilares fundamentais, designadamente a comunidade, a família e a intervenção intersectorial, porque fazem parte do mesmo todas as forças do município. “Fazem parte do grupo gestor do TUPI pessoal da Educação, do Registo Civil, da Saúde, da Administração, da autoridade tradicional. De modo que, se o facilitador no exercício da sua actividade aperceber-se de algum problema que não está ao seu alcance, automaticamente passa para o grupo gestor e este, por sua vez, procura solucionar”.

O administrador para a área social afirmou que o foco do projecto é alcançar o bem-estar da criança, pelo que cada instituição procura resolver a preocupação que vai proporcionar o melhor para a criança. Os materiais usados no TUPI são produzidos pelos facilitadores com a participação dos pais, tendo em conta que a matéria- prima é muito diversificada, sendo que na sua maioria é material reciclado, como garrafas de plástico e as suas tampas, caixotes de papelão, paus e troncos de madeira, pneus já usados, entre outros objectos. O TUPI não é um projecto dispendioso, mas sim uma alternativa à educação pré-escolar no meio rural a custo baixo. A educação é administrada a custo zero, os encarregados não desembolsam qualquer valor para levar as crianças ao jango ou receber os facilitadores nas suas residências.

Mais de 1500 educadores e vigilantes passam para o quadro do MED

Segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento, existem em todo o país 375 centros infantis comunitários, 700 educadores e 829 que <vigilantes trabalham para este plano que antes era tutelado pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) e que passou para o Ministério da Educação (MED). Baptista Monteiro, chefe do Departamento de Formação e Avaliação do Desempenho do Ministério da Educação (MED), disse que os educadores de infância e os vigilantes actualmente fazem parte da carreira dos agentes da Educação, sendo que a sua instituição está a assegurar a transição de 700 educadores de infância e de 829 vigilantes dos centros infantis públicos, em todo o país, que faziam parte do MASFAMU.

Os recursos humanos serão actualizados em função do perfil, das adequações, profissional e académica, para que passem a ser agentes da educação, “assim poderemos ajustar os seus salários e passarão a ser designados como membros do MED e não do MASFAMU”. De acordo com Baptista Monteiro, o processo que estão a levar a cabo implicará mudanças da carreira e salarial, por isso, a transição está a ser feita gradualmente. Contou que, segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento, existem a nível do país 357 centros infantis comunitários que, antes, estavam sobre a tutela do MASFAMU. “Estamos a assegurar que as instituições e os seus quadros passem para o MED até 2020”, finalizou.

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