The Special Ones (Os Especiais)

Somos especiais e no sentido positivo da palavra, somos resilientes, inovadores, corajosos e audazes. Rimo-nos das nossas infelicidades e dores, e temos uma criatividade aguçada pois somos os que encontram memes para satirizar a falta de arborização no Zango, criamos versões de músicas antigas para ironizar sobre a carência de combustível ou apelidamos bebidas e botequins com nome de deputadas que utilizam as redes sociais para fazer ouvir a sua voz.

E se colocássemos todo este engenho ao serviço do crescimento pessoal e comunitário?

São inúmeras as pessoas com quem convivo que vivem o momento descrédito, após dois anos não crêem que realmente possa existir um novo rumo, sabem apenas que para trás não voltaremos mas como dizem os irmãos brasileiros: ”Não estão sentindo firmeza”, pois fala-se dos combates mas são poucos os “Nokout’s”.

Não se construíram pontes afirmam uns, comunica-se mal, argumentam outros… Só vemos o custo de vida a aumentar, as empresas a fechar e os problemas do povo quem resolve?

Não sou por natureza uma entusiasta, estou a aprender a ser positiva e a encontrar o melhor em mim e nos outros, e é com esta perspectiva que indago: Temos andado a olhar para o bem ou apenas procurado o mal? Que expectativas tínhamos para que as coisas como um truque mágico se resolvessem em dois anos? Num país que até hoje não sabemos ao certo quais os “imbróglios” causados pela anterior governação?

Temos visto com olhos de ver, a redução de 382 milhões de dólares nos contratos da marginal da Corimba ou apenas que as empresas eram as da Eng. Isabel dos Santos? Sabemos que foram reduzidas para metade as comissões de participação cobradas pelo Conselho Nacional de Carregadores que nos permitirá o aumento do fluxo de importação e exportação de mercadorias no país ou continuamos inebriados porque o Will Smith ouve Bonga ao acordar?

Serão assim tão importantes as partilhas de todos os pronunciamentos da deputada Tchizé ou a assinatura de um acordo entre Angola e Portugal no sector das Pescas com parcerias nas áreas de investigação técnicocientifi ca e de transformação de pescado têm mais importância?

E quantos prestaram atenção às declarações da Secretária da Unidade Económica para a África das Nações Unidas, Vera Songwe, que refere que o trabalho da equipa económica tem permitido estabilizar a situação macroeconómica do país? Talvez a simulação ou não do transporte de pacientes em carrinhas de caixa aberta mobilize muito mais a opinião pública.

Urge direccionar e focar, temos sim um longo caminho a percorrer “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e nem nós podemos almejar que os problemas do povo se resolvam esfregando a lâmpada do Aladino, quero com isto dizer que nos devamos escusar de assinalar o que está mal? Não. É preciso criticar e que esta seja entendida como forma de melhoria, que exista a capacidade de colocar-se no lugar do outro e que quem detém cargos de decisão não receie comunicar e apresentar objectivos e metas, reconhecendo com humildade se não os conseguir atingir.

Serei provavelmente mais uma vez considerada uma lírica, mas ser-se patriótico é querer o melhor, é escolher todos os dias, independentemente das circunstâncias, fazer o bem em prol das actuais e futuras gerações, se assim não for, fechemos o país deitemos fora a chave e emigrem.

Kâmia Madeira

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