Savimbi teve “encomenda” religiosa para ficar no sarcófago construído pelo filho

Savimbi teve “encomenda” religiosa para ficar no sarcófago construído pelo filho

Comoção, dor, tristeza e lágrimas, marcaram ontem, na aldeia de Lopitanga, 32 quilómetros do Andulo, as exéquias fúnebres de Jonas Savimbi, 17 anos depois da sua morte

texto de Ireneu Mujoco  o Andulo (Bié) fotos de pedro nicodemos, Enviados ao Bié 

A urna contento os restos mortais baixou à cova às 14 horas e 03 minutos, acompanhada de uma mistura de cânticos fúnebres e revolucionários entoados por vários grupos corais da Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA), de que Savimbi era crente, e de grupos corais da LIMA e JURA, organizações feminina e juvenil da UNITA, respectivamente.

Era o último adeus a Jonas Savimbi e a concretização do seu desejo, sendo que em vida manifestara a vontade de um dia ser enterrado no lugar onde, a partir de ontem, passou a ser a sua última morada, ao lado dos seus pais Loth Malheiro e Helena Mbundo, e, mais recentemente, lá também ficou seu sobrinho Arlindo Chenda Pena (Ben Ben), antigo vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas(FAA).

Em marcha lenta, quatro filhos do malogrado, sendo dois de cada lado, ao ritmo de cânticos chegavam ao sarcófago para a deposição da urna, que antes de baixar foi envolvida” por uma oração feita pelo reverendo André Kangove. Para sufragar a alma de Jonas Savimbi, o reverendo Kangove baseou o seu sermão no livro de Génesis, capitulo 47, 28, 31, e Salmos 90.

Vida e obra de Savimbi

Antes, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, chamado a apresentar os dados biográficos de Jonas Savimbi, destacou-o como um nacionalista angolano que lutou incansavelmente para a libertação de Angola do jugo colonial português.

Destacou-o também como quem participou activamente na criação da Organização de Unidade Afri Em marcha lenta, quatro filhos do malogrado, sendo dois de cada lado, ao ritmo de cânticos chegavam ao sarcófago para a deposição da urna, que antes de baixar foi envolvida” por uma oração feita pelo reverendo André Kangove. seu pai, afirmou que, apesar das constantes ocupações, Jonas Savimbi arranjava tempo para conversar com os seus filhos. Segundo ele, para além de incutir uma boa educação aos filhos, lhes era recomendado também respeitar os mais velhos. cana (OUA), em 1963, transformada depois em Julho de 2002 em União Africana (UA). Alcides Sakala apontou ainda Savimbi como tendo sido o defensor da instauração do multipartidarismo em Angola, colocando fim o sistema monolítico que vigorou no país durante 14 anos.

Disse ainda que o líder fundador da UNITA, enquanto político e diplomata desempenhou um papel importante para a libertação de Nelson Mandela, antigo Presidente da África do Sul. Fez também uma retrospectiva sobre a vida e obra de Jonas Savimbi, desde a sua vida de estudante nas missões evangélicas de Chilesso, Dondi, Liceu Diogo Cão e Lausanne (Suíça).

Um pai exemplar

É assim que Cheya Savimbi e Helena Mbundu Savimbi, consideraram o seu progenitor, quando chamados, em nome dos outros irmãos, a caracterizar a figura de seu pai. Cheya, 40 anos, engenheiro civil, e construtor do sarcófago do Por sua vez, Helena Savimbi recordou que o seu pai dizia que possuía uma rotação de 360 graus em termos de ocupação, mas ainda assim tinha tempo para falar com eles e saber das suas preocupações. Lembrou que nos tempos livres
Jonas Savimbi gostava de cantar, ouvir boa música, realçando que guarda outras boas recordações do seu pai.
Savimbi “símbolo da angolanidade” Isaías Samakuva, actual líder da UNITA, ao fazer o elogio fúnebre do seu antecessor, considerou-o como o “símbolo da angolanidade”, apesar de “amado por muitos e odiados por outros”. Para Samakuva, a vida e obra de Jonas Savimbi demonstram a sua afirmação, salientando que deu toda a sua vida por Angola e pelos os angolanos. Durante a cerimónia de inumação dos seus restos mortais, Savimbi foi homenageado com a outorga da Medalha de Ouro Negro.